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Estava na hora, mas o grande PS encolheu-se!

 

O BE/Açores, despido de qualquer faciosismo e dogmatismo ideológico, desafiou a esquerda açoriana para combater, em conjunto, o último e derradeiro ataque à dignificação do trabalho. Sabíamos que manter as condições do Código do Trabalho de 2009, do PS, estava longe de ser o ideal para a defesa do(a)s trabalhadore(a)s, mas perante o descaramento de uma coligação de direita (PSD e CDS/PP), sentimos que era tempo de juntar forças para, pelo menos, estancar uma sangria de direitos que nos Açores será ainda mais gravosa do que no continente, devido à nossa média salarial, significativamente, inferior à media nacional e porque não é facilitando os despedimentos e flexibilizando os direitos que criamos mais emprego.

Se da direita açoriana (PSD e CDS/PP) não esperávamos grandes esforços para defender o(a)s trabalhadore(a)s e desempregado(a)s açorianos. Por outro lado, da esquerda açoriana, nomeadamente do PS, esperávamos um espirito combativo, ainda mais, porque a proposta que apresentámos não colocava em causa a congruência do PS. Antes pelo contrário, tratava-se de dar uma oportunidade ao PS/Açores para ser consequente no juízo que fez às mais recentes alterações ao Código do Trabalho.

Agora sabemos com o que podemos contar! Não sei, o que será preferível? Uma direita assumida ou uma esquerda vendida? Um PS que prefere aceitar a pressão dos presunçosos grupos económicos regionais que querem ver aplicada esta última versão do Código do Trabalho e que até consideram que se deveria ter precarizado e embaratecido ainda mais o trabalho do que ter a coragem de, pelo menos, desta vez, juntar forças para derrotar, na Região, o avanço deliberado de uma política de austeridade que só servirá para retirar poder de compra aos(às) trabalhadore(a)s, aumentar o desemprego e criar condições para o encerramento de micro e pequenas empresas. Sim, porque o(a)s trabalhadore(a)s do setor privado e público são o(a)s clientes que as viabilizam!

O(A)s açoriano(a)s têm de saber que o PS/Açores teve a oportunidade única de utilizar as competências da autonomia para evitar que a sua vida se degrade, ainda mais! O(A)s açoriano(a)s têm de saber que o PS/Açores poderia ter evitado a redução dos dias de férias, a obrigação de fazer ‘ponte’ por decisão unilateral do patrão, o despedimento por alegada inadaptação, a redução drástica das indemnizações em caso de despedimento, a criação de bancos de horas individuais, a redução das folgas, ou a redução do subsídio de desemprego!

Do PSD não se esperava outra coisa, senão «paninhos quentes» e a promessa de, quem sabe, um dia, vir a propor adaptações ‘cirúrgicas’ do Código do Trabalho à Região, quiçá para irem mais além da República e tornar, finalmente, as nove ilhas dos Açores em feudos de uns tantos senhores que terão mão-de-obra descartável e barata ao seu bel-prazer.

O PSD e o PS deveriam ter vergonha, quando reclamam a maternidade e paternidade da Autonomia e não são capazes de a colocar ao serviço do(a)s açoriano(a)s! Ficou mais do que provado que não existe um PSD ou um PS/Açores, mas sim, um único PS e PSD que se comportam de forma imatura e indigna quando tomam o poder com maiorias absolutas!

Não me venham com conversas populistas e derrotistas de que são todos iguais! Não. Há alternativas! As alternativas são construídas por todos nós e constroem-se quando assim queremos! No dia 14 de Outubro não fiquem em casa! Votem! Não tenham medo de assumirem projetos diferentes e de integrarem listas para eleições! A democracia está, por enquanto, nas mãos de todos e façam o favor de ser audazes!