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Greta Thunberg, os Açores e o mar

A jovem ativista Greta Thunberg encontra-se, neste momento, a atravessar o Atlântico norte a caminho dos Açores. Saúdo a sua passagem por estas águas (não sabendo ainda se por cá desembarca)!

Greta Thunberg tem dado voz às preocupações da juventude (e não só) relativamente às alterações climáticas e às suas consequências no planeta e na humanidade. Consequências estas que são assimétricas, afetando com muito maior intensidade geografias mais sensíveis, assim como aqueles que delas não podem fugir, ou seja as classes que já mais sofrem com as desigualdades sociais.

É inegável que o ativismo de Greta tem contribuído enormemente para aumentar a participação dos jovens no debate sobre o futuro do planeta e da humanidade. A greve climática que iniciou demonstrou que os jovens não estão alienados do que se passa à sua volta e que a sua capacidade de despoletar mudanças é a mesma de sempre!

O Atlântico, que Greta Thunberg está a atravessar, constitui um elemento fundamental na preservação do planeta tal qual o conhecemos. Uma vasta área do Atlântico é responsabilidade nossa e com o projeto de expansão da plataforma continental, essa área será provavelmente muito alargada num futuro muito próximo.

A luta contra as alterações climáticas é também a luta pela preservação dos oceanos. Estes são responsáveis pela regulação do clima global, regulando a temperatura e a precipitação. Quando tanto se fala de carbono e da importância das florestas na fixação de carbono atmosférico e na produção de oxigénio, não podemos esquecer que os oceanos constituem o maior reservatório de carbono do planeta. Para além disso, a biodiversidade e o património genético existente nos oceanos tem de ser preservado, podendo ainda contribuir para enormes avanços científicos e tecnológicos.

A nossa responsabilidade quanto ao futuro do planeta é por isso, pelo menos, tão grande quanto o mar que nos rodeia. Se as consequências da exploração de petróleo são por demais conhecidas, as consequências da mineração do mar profundo, por sinal, uma das mais atrativas atividades da chamada “economia azul”, são imprevisíveis com o atual nível de conhecimento.

A preservação desses recursos só é possível, por isso, com conhecimento, e isso exige instituições científicas dedicadas especificamente ao mar e ao mar profundo em particular - como há muito defende o Bloco - e condições favoráveis para investigadores possam desenvolver o seu trabalho com dignidade e segurança, o que definitivamente não acontece neste país (e os Açores não são excepção), onde a maioria dos investigadores vive na total precariedade .

Por outro lado, a gestão de todos esses recursos deve ser feita localmente. Isso é um imperativo democrático. Os/as açorianos/as são e serão sempre os principais prejudicados por atividades que se venham a revelar destrutivas dos ecossistemas marinhos. É por isso que a gestão do mar dos Açores tem de ser feita pelos Açores, sendo para isso necessário, de uma vez por todas, alterar a lei do mar.

A luta de Greta Thunberg - e de milhares de jovens por todo o mundo - pela defesa do planeta e pelo combate às alterações climáticas - passa muito pela preservação do oceano que agora está a atravessar.