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Alunos sem contacto com a escola no ensino à distância não podem ser prejudicados

“Os alunos que não estão a conseguir ter contacto com a escola neste período de ensino à distância não podem ser prejudicados na avaliação do terceiro período, nem no início do próximo ano letivo”, o alerta é do deputado Paulo Mendes, do Bloco de Esquerda, que não concorda com a intenção do Governo de avançar com a introdução de novos conteúdos, porque isto só vai aumentar as desigualdades já existentes.

“Tal como há unanimidade acerca do reconhecimento da inexistência de universalidade no acesso aos recursos necessários para o desenvolvimento da aprendizagem, também devia ser unânime o reconhecimento da impossibilidade de considerar novos conteúdos transmitidos não presencialmente para a avaliação do terceiro período deste ano letivo”, admitiu Paulo Mendes.

A lecionação de novos conteúdos e a sua inclusão na avaliação “acarreta pressão desnecessária sobre os professores, o pessoal não docente e sobretudo sobre as famílias”.

O deputado do BE considera, assim, que, no ensino à distância, deve ser privilegiada a consolidação de conteúdos já lecionados em regime presencial, que a transmissão de novos conteúdos deve ser opcional e que – ao contrário do que defende o Governo Regional – estes conteúdos nunca deviam ser considerados para a avaliação dos alunos.

É fundamental também “contrariar a tendência para o aumento do abandono escolar, um grande risco que se corre com o ensino à distância”, e “garantir o contacto com a escola que apoie os alunos e as famílias e não que funcione como um factor de pressão”.

O BE reconhece a dificuldade em implementar, em tão pouco tempo, um sistema de ensino à distância, e considera que, neste momento, o mais importante seria preparar todos os meios – internet, plataformas online e equipamentos – para que no futuro, na eventualidade de ser necessário mais um período de confinamento e de ensino à distância, não se repitam as dificuldades e desigualdades que se estão a verificar.