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Programa de Governo não tem medidas concretas de combate ao desemprego

O Bloco de Esquerda/Açores acusa o novo Governo Regional de ter um Programa vago, sem ideias concretas para combater os problemas dos Açores, e que segue em linha com a austeridade do Governo da República PSD/CDS, não contemplendo quaisquer medidas que contraponham essa austeridade, ao contrário do que havia sido prometido durante a campanha eleitoral. A acusação foi feita ontem à tarde por Paulo Mendes, no âmbito da reunião da Comissão Coordenadora Regional do BE/Açores.

O voto final está, no entanto, dependente do debate do Programa do Governo que acontece a partir de amanhã, no parlamento. Mas as expectativas de que o Governo seja capaz de inverter a situação de desastre social que se vive – como prometeu – são poucas.

Em vez de apresentar um programa de emergência para o combate ao desemprego, dando ênfase e resposta ao drama social que se vive nos Açores, com medidas concretas, Vasco Cordeiro limita-se a declarações de preocupação. “Um programa de emergência contra o desemprego é uma exigência mínima”, disse Paulo Mendes.

Em nome da CCR do BE/Açores, Paulo Mendes aponta o dedo ao Governo Regional por acentuar o ataque aos serviços públicos em favor de interesses privados, principalmente no sector da Educação e da Saúde, desperdiçando, desta forma, dinheiros públicos.

O Bloco não aceita que o Programa do Governo não faça qualquer referência séria, e muito menos apresente medidas de combate à evasão fiscal – que corresponde a menos 250 milhões de euros por ano nos Açores –, e às derrapagens nas obras públicas, que nos últimos quatro anos custaram cerca de 200 milhões de euros aos cofres dos Açores.

Paulo Mendes alertou ainda para o facto de os sectores tradicionais da economia dos Açores estarem em perigo, uma vez que o Programa de Governo dá as batalhas pela defesa das quotas leiteiras, fileira da carne e política de pescas como perdidas, não apresentando qualquer medidas séria para a sua defesa: “Neste particular momento da nossa economia, em que as alternativas não são de concretização rápida, deixar cair estes setores é um atentado contra a Região”, disse o dirigente do BE.