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Pouca Uva (II)

Na semana passada, tentei demonstrar que havia “Muita Parra”, no Programa do Governo Regional. Hoje, vou dedicar-me a provar que também há “Pouca Uva”...

Se, no que diz respeito aos/as trabalhadores/as, o GR se conforma com a eterna precariedade, já para os empresários, nada menos do que regalias e dádivas, assumidas pelo reforço do rentismo, posto à disposição de novos pseudo-empreendedores.

Exemplos: apoios públicos para empresas produzirem energia que, à partida, está toda vendida à EDA, com a garantia de que, quer produzam, quer estejam paradas, receberão sempre os referidos apoios. Dito de outra maneira: - criação de negócios, à custa do dinheiro de todos/as nós, sem correr qualquer tipo de risco, garantindo rendas chorudas a falsos empreendedores! Pode ser o maná dos deuses, mas não é uma política decente.

Na área da Saúde, um claro erro de avaliação, do qual resultará, paulatinamente, a degradação das potencialidades do SRS. O BE defende o recurso à utilização do sector privado, enquanto o SRS não suprir as suas falhas, no serviço à população. Mas não acompanhamos o caminho de desinvestimento neste serviço, para criar rendas e proteger interesses privados. Fazê-lo provocará, a prazo, maiores custos para a Região, ao mesmo tempo que consigna uma saúde para ricos e outra (bem diferente!) para pobres.

E estas disparidades não se ficam por aqui:

- perante defesos obrigatórios da pesca ou a quebra de quotas do pescado, o GR mantem  a mesma linha de orientação, ou seja, não alarmar Bruxelas, preferindo alarmar as casas das famílias que vivem da pesca;

- na Lavoura, incentivar a estabulação e a alimentação do gado, através de rações e rações com OGM’s, é um caminho errado que, a prazo, faz perigar a Marca Açores, no mercado nacional e internacional;

- no Ambiente, prepara-se um autêntico atentado ambiental, ao fazer depender o Plano de Ordenamento do Território do Plano de Turismo! Isto é uma inversão de valores inconcebível, em matéria de planeamento e  prepara o terreno para  mandar às urtigas a tão propagandeada defesa do Turismo de qualidade e sustentável;

- na economia do Mar, os sinais são muito preocupantes. A pouca relevância dada ao projecto do Centro de Investigação das Ciências do Mar (e, mais grave do que isso, o silêncio do Senhor Secretário Regional da tutela, quando questionado sobre esta matéria) é deveras comprometedor. Sobretudo, porque este Centro pode ser a alavanca essencial, para uma economia do mar avançada e um chamariz para empresas de alta tecnologia. É curioso que um projecto tão divulgado pelo PS, em campanha eleitoral, tenha agora o silêncio do GR!

Quanto à Base das Lajes, a prioridade é pressionar o Governo da República, no sentido deste alertar a administração norte-americana para a importância estratégica dos Açores, assumindo o GR a sua preferência de que, no futuro, a Base se mantenha. Ou seja, aparentemente, a administração norte-americana precisa e aceita as lições do nosso país, sobre o que fazer da sua política de estruturas militares!... Santa paciência!

É cada vez mais evidente que a manutenção da base militar é  prejudicial à nossa economia e nos impede de criar mais empresas e mais emprego qualificado, melhorando, assim, a vida dos/as Açorianos/as, em particular, dos/as Terceirenses.

Concluindo, este caminho não serve os Açores e só razões puramente ideológicas o podem justificar.

Portanto, não pudemos  acompanhar este Programa do Governo, pois ele, não só não combate as desigualdades sociais, como antes as acentua, não abrindo novos trilhos para a construção de uma Região desenvolvida, próspera, solidária e coesa.