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Temos Soluções II

 

A semana passada apresentei duas propostas concretas e exequíveis, a implementar já, no sentido de salvar empresas e postos de trabalho, na construção civil – sector gravemente afectado, na nossa Região. Hoje, vamos falar de outras, igualmente urgentes. De nada servirá defendermos a ‘diversificação agrícola’ se, simultaneamente, não criarmos mecanismos que garantam a comercialização de produtos, sobretudo, hortofrutículas e/ou de produção biológica. Por isso, propomos a negociação, com as grandes distribuidoras, de uma quota regional de produtos açorianos, como contrapartida pelos incentivos recebidos. E não estamos a inventar coisa nenhuma, porque a Espanha fá-lo e bem.

Além disso, temos que ser consequentes, na defesa das quotas leiteiras, para além de 2015. Neste aspecto, a ministra Assunção Cristas está no caminho certo. Porém, é necessário termos a garantia de que, in extremis, não assinará a PAC, caso não alcance uma cláusula de excepção para os Açores, à semelhança do que muitos outros países têm conseguido, sobre matérias essenciais para o seu tecido produtivo.

Há tempos atrás, perdemos uma oportunidade de ouro para negociar uma cláusula deste género, relativamente à gestão partilhada da nossa ZEE e as consequências estão à vista. Tratemos, hoje, de não deixar que se venda a patacos uma área essencial para a nossa economia.

Mas o toque de Midas de qualquer modelo de desenvolvimento para uma região com as características arquipelágicas da nossa é, sem dúvida, os transportes. Neste momento, em nome de uma campanha eleitoral feita de uma overdose de promessas, já teríamos barcos, cargueiros e ferries com fartura. Contudo, a questão principal não é esta.

Precisamos de um Plano Integrado de Transportes (aéreos, marítimos e terrestres), capaz de responder a questões tão simples como estas: o que é que jé temos? O que precisamos? Com que tarifas? Com que investimento público? Com que tipo de retorno económico e fiscal? Ninguém sabe responder a estas perguntas porque as medidas que têm sido propostas são casuísticas, sector a sector, empresa a empresa, todos de costas voltadas e olhando apenas para o seu umbigo.

Um Plano destes faz-se em seis meses. Estamos à espera de quê?