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Temos soluções III

 

Nas duas últimas semanas, trouxe à vossa consideração algumas das ideias que defendemos para ajudar a nossa Região a ultrapassar o ‘cabo das tormentas’ que temos mesmo à frente dos nossos olhos e das nossas vidas. Nenhuma delas tem que ser “para depois de Outubro”, porque todas são exequíveis agora e já e, aliás, quanto mais tarde começarmos, mais duro será o caminho.

Bem sabemos que o futuro é hoje, quanto mais não seja porque é no presente que se estuda, debate e planeia aquilo que só virá com a nossa vontade e com a nossa capacidade de concretização. É por isso que, nesta crónica, faço questão de vos deixar duas propostas estruturantes para o desenvolvimento dos Açores.

Somos, reconhecidamente, a Região Ultra Periférica com mais investigação, na área da oceanografia, muito por obra e graça do respectivo Departamento da Universidade dos Açores, verdadeiro embrião de uma excelência ao nosso alcance. Somos, também, uma Região de tal forma abençoada que muitos a consideram – e bem – um verdadeiro laboratório natural para áreas tão diversas como a climatologia, a vulcanologia, a biodiversidade e tantas outras.

Acresce que, recentemente, o Secretário de Estado de Economia afirmou o seguinte: o potencial dos fundos marinhos, particularmente em metais, tendo em conta a nossa zona marítima, pode ascender a 60 mil milhões de euros por ano!

Se nada fizermos, corremos o risco de passarmos ao lado desta oportunidade, permitindo que as mais-valias geradas sejam arrecadadas por outros. Temos que começar a pensar em montar um Centro de Investigação Internacional, capaz de atrair inteligência, produzir conhecimento, vender serviços e novas tecnologias e, sobretudo, fixar jovens altamente qualificados sem futuro à vista.

Por outro lado, é chegado o momento de encararmos a nossa privilegiada situação geográfica, não como uma prisão-tabu, mas como um factor económico. É conhecida a situação de saturação do espaço aéreo europeu e o congestionamento de rotas entre os dois continentes. Os Açores têm todas as condições para se constituirem como um cluster aeronáutico e, também nesta área, já temos um embrião da excelência possível, na NAV, em Santa Maria. Mais uma vez, estamos à espera de quê para começarmos a ser ambiciosos e exigentes?