Share |

“Debater transportes nos Açores é debater problemas que se arrastam há décadas”

“Debater transportes nos Açores é debater problemas que se arrastam há décadas e outros que se agravam intensamente a cada ano que passa”, na SATA, nos transportes marítimos e no transporte público terrestre, disse António Lima, que acusa o Governo de conduzir o sector dos transportes de forma “casuística, sem estratégia e sem rigor”.

No transporte aéreo, nomeadamente na SATA, as opções erradas – de frota e de rotas –, a má gestão e a falta de compensação financeira por parte da Região pelo contributo que a companhia aérea deu à economia dos Açores nos anos mais difíceis da crise levaram a SATA à situação dramática em que se encontra.

A uma situação já muito complicada, que foi agravada pela teimosia em tentar a sua privatização – que só levou à perda de tempo – juntam-se agora os efeitos da pandemia.

“Mas com ou sem pandemia, a SATA tem obrigações de serviço público a cumprir e tem uma obrigação para com os açorianos e açorianas. “A SATA não é substituível”: tem a missão maior de garantir a mobilidade dos açorianos e açorianas, através das ligações internas e ao exterior.

Ao contrário do que por vezes se quer fazer parecer, a SATA não é do Governo Regional e muito menos do Partido Socialista, é de cada um dos açorianos e açorianas que têm o direito a conhecer o plano de reestruturação que o Governo tem em sua posse, mas que só quer revelar depois das eleições.

Quanto ao transporte marítimo, António Lima considera que é urgente realizar um estudo para definir quantos, e que tipo de navios devem ser adquiridos pela Região, e quais os custos e benefícios de cada solução. Isto porque o Governo decidiu inicialmente construir dois navios, mas, mais tarde, decidiu que seria apenas um. “Que razões e que estudos levaram a esta conclusão? Ninguém sabe, nenhuma explicação é dada”, lamenta o líder do BE, que recorda que os fretamentos de navios, desde 2009, já atingiram os 60 milhões de euros, um valor que “já pagava um navio e ainda sobrava”.

No transporte público terrestre os problemas também são muitos e arrastam-se há anos: não há articulação entre rotas e operadores, persiste a falta de segurança no transporte escolar, continua por fazer a transição energética, e ao contrário do que aconteceu em todo o país, nos Açores não se concretizou a redução das tarifas.