Partidos de direita ignoram estudo e permitem abate indiscriminado de ave protegida provocando danos na biodiversidade e reputacionais

O Bloco de Esquerda acusa os partidos de direita de estarem a provocar danos reputacionais aos Açores e ao sector Vitivinícola da Região, ao permitir que se mantenha a autorização para abate de ave protegida durante os próximos dois meses.

“Não podemos ter uma agricultura regional que queira vender, mostra e promover uma produção em sintonia com o ambiente e depois, a primeira solução para um problema ser o abate de aves protegidas”, disse António Lima.

“Não podemos ter uma agricultura que não promove um respeito pelo ambiente e não podemos ter um sector vitivinícola que esteja associado ao abate de milhares de aves”, acrescentou.

O Governo autorizou o abate indiscriminado de uma ave protegida desde 11 de setembro, até 11 de novembro, por isso o Bloco propôs que a proposta para reverter essa autorização fosse debatida e votada ainda hoje, para que a eventual aprovação produzisse efeitos em tempo útil, ou seja, antes do dia 11 de novembro.

No entanto, hoje, os partidos de direita – PSD, CDS, PPM, CH, IL e o deputado independente – rejeitaram o pedido de urgência, fazendo com que a proposta só venha a ser votada muito depois do fim do período de autorização para a caça.

É importante ter em conta que esta decisão do governo de autorizar o abate da rola-de-colar não tem por base qualquer sustentação científica.

Pelo contrário, o Governo tem na sua posse um estudo do CIBIO – entidade muito credível da Universidade do Porto – encomendado pelo próprio governo, que prova que não é a rola-de-colar que provoca estragos nas culturas da vinha, como alega o governo.

António Lima alerta que a decisão do Governo “pode significar o abate indiscriminado de centenas, ou milhares, de aves de uma espécie protegida, sem qualquer controlo, sem indicação dos métodos de abate, nem os limites para o número de indivíduos a abater, inclusivamente nos terrenos onde não existe vinha – que é a justificação que o governo alega para autorizar o abate”.

Quando esta proposta vier a plenário, e depois de terem sido mortas milhares de aves, toda a gente vai perceber que foi um erro que terá impactos na biodiversidade e impactos reputacionais para os Açores.

“Não há Região que possa dizer que está em harmonia com a natureza quando ao primeiro problema, a solução é matar a tiro as aves protegidas”

De qualquer forma, o Bloco vai manter a proposta, porque ela vai mais longe do que a revogação da autorização de abate: o Bloco propõe a criação de apoios aos produtores agrícolas para a implementação de medidas que protejam as culturas dos danos provocados por animais e o pagamento de indemnizações aos produtores pelos estragos comprovadamente provocados por espécies protegidas.

Além disso, o Bloco propõe também que sejam aprofundados os estudos relativos à ecologia e às populações das espécies da avifauna dos Açores, incluindo a sua relação com as diversas culturas agrícolas da Região.

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