Abertura de horizontes

Os Açores não têm de estar condenados à perpetuação de um modelo de desenvolvimento quase feudal, segundo o qual a pobreza é um fado inter-geracional.

O futuro parece bloqueado por um conjunto de certezas que tem minado o novo desenvolvimento. Precisamos de alargar os nossos horizontes, só possível se começarmos a considerar os nossos interesses e prioridades, em vez de conformarmos a Região a interesses alheios. Essa é uma mudança que nos trará mais coesão social e um desenvolvimento harmonioso da Região.

É prioritário investir na investigação científica para adquirir e aprofundar o conhecimento em ciências do Mar, um dos recursos mais valiosos, com potencial de alavancar o nosso desenvolvimento, assente na exploração sustentável da economia azul, na prospeção e aproveitamento de minérios do fundo oceânico.

A nossa posição geo-estratégica nunca nos será útil, enquanto só servir para plataforma de agressão a outros povos e alimentar anseios imperialistas, nem pode ser perspetivada, ingenuamente, como muito importante, só porque nos encontramos entre dois continentes que se preparam, através de um Acordo de livre comércio, para alargar, graças a uma liberalização sem precedentes, um mercado que contribuirá para desvalorizar, ainda mais, salários e precarizar o trabalho.

O alargamento de horizontes será, porém, impossível numa Região que desiste de si própria e prefere encerrar as suas perspetivas de desenvolvimento no isolamento de cada ilha por si, o paradigma que resulta do fracasso do modelo harmonioso de desenvolvimento da Região.