Ai não aguentamos!

 

A formulação de um desejo é uma coisa muito séria. Quando desejamos algo – para nós e/ou para outros -, é assim como se convocássemos todas as energias cósmicas – desde logo, as nossas – para um ponto de encontro criativo e gerador de acontecimentos. Por isso, tenho muita dificuldade em desejar, seja a quem for, um “próspero ano novo”, sabendo – como todos/as sabemos – que 2013 vai ser o pior ano da nossa democracia.

Um desejo não pode ser uma frase batida, nem uma banalidade e, menos ainda, uma mentira. O ano que daqui a poucas horas se iniciará vai intensificar, colossalmente, o sofrimento, a pobreza, a injustiça, o desemprego, a precariedade, a desigualdade, o definhamento da democracia, numa palavra, a recessão e, portanto, a ameaça de bancarrota.

E não é por estar escrito nas estrelas, não senhor. É porque o fundamentalismo militante e extremista que governa o nosso país vai insistir e persistir nas políticas que nos trouxeram  até aqui: mais impostos, menos salário, sangria emigratória, perda de emprego, roubo de pensões e reformas, destruição de apoios sociais. Está tudo escrito, sim, mas é no Orçamento de Estado para 2013.

Paralelamente, o executivo vai continuar a encher os cofres dos bancos, a distribuir nomeações e benesses pela sua tribo e as privatizações continuarão a garantir negócios de ouro para os privados.

Dia sim, dia sim, pedir-nos-ão mais sacrifícios, em nome do equilíbrio das contas públicas, as mesmas que, a cada dia que passa, estão cada vez mais desequilibradas. E a cada novo desequilíbrio, seguir-se-á mais austeridade e novos desequilíbrios, numa espiral sem fim.

Até que um dia – será em 2013? – todos/as perceberemos que o argumento da ‘excepcionalidade ‘e da ‘transitoriedade’ das medidas que nos impõem é uma falácia perversa e hipócrita, porque todas elas acabarão por se transformar na mais vergonhosa e contraditória ‘normalidade’. 

Ou seja, que o inferno de tantos/as  é o preço a pagar pela prosperidade de alguns, sempre os mesmos. 

Talvez então – será em 2013? – saibamos quantos pobres são precisos para fazer um rico. E, necessariamente, – será em 2013? -, não acharemos esse preço normal e recusar-nos-emos a pagá-lo. É isso que vos desejo, já em 2013!