Balanço do balanço

Ao longo das ideias centrais, apresentadas pelo Bloco de  Esquerda/Açores, de balanço destes dois anos de governação regional, é verdade que tracei um quadro pintado de cores carregadas, mas a vida dos/as Açorianos/as - tal como é vivida, diariamente -, não desmente a intensidade destas cores.

Antes da interrupção já habitual de Agosto (volto a estes Artigos, semanais, dia 4 de Setembro), levo comigo um secreto desejo – ou talvez, antes, uma súplica deitada ao ar(?) – de que a realidade vigente seja capaz de se transformar, na condição do Governo Regional e do PS/A (que dirigem os destinos da nossa Região) reflectirem sobre a trágica situação que muitos/as cidadãos/ãs vivem e, sobretudo, sobre o projecto de futuro para os Açores.

Ao contrário da acusação feita ao BE/A, pelo Senhor Vice-Presidente, durante o último Plenário – “excessivo extremismo político” -, as perguntas que deixo para reflexão, aos/às leitores/as que me acompanham, são estas: as questões que, nos últimos três artigos, levantei, as dúvidas a que dei voz, ou as acusações que assumi, são verdadeiras, são exactas, são legítimas, ou serão apenas fruto de uma qualquer alucinação colectiva, que se apoderou de mim e se estendeu ao BE/A, ou se apoderou do BE/A e se estendeu a mim?

Acusa-nos, ainda, o Senhor Vice-Presidente do Governo Regional de “dizer que está tudo mal”, dando corpo ao tipo de política do ‘bota abaixo’… Não seria mais interessante e bem mais esclarecedor, para os/as Açorianos/as, que este governante demonstrasse, aos verdadeiros interessados, ponto por ponto, que o Bloco não tem razão no que diz? Se sim, porque razão não o fez, no momento e no local apropriado para tal?

A postura do Bloco de Esquerda/Açores é conhecida: firme e, politicamente, descomplexado, a bater palmas, quando as medidas do Governo são positivas (e temo-lo feito, publicamente, quando é caso disso), mas igualmente firmes e duros, quando vemos políticas erradas, compadrios, mau gasto de dinheiros públicos e outras práticas inaceitáveis, num governo que se diz ‘socialista’. E só o fazemos com dados concretos e não gratuitamente, para inflamar a guerrilha política, tão do agrado dos chamados partidos do ‘arco da governação’. E que grande governação aquela com que nos têm brindado, ao longo dos anos!

Mas, antes da despedida, não resisto a um último comentário. Vemos, ouvimos e lemos a sucessão de acontecimentos suscitados pelas ‘primárias’, no PS. Não deixa de ser hilariante que ande tudo à bulha, por causa de dois candidatos a candidatos a Primeiro-Ministro, sobretudo, quando este tipo de candidatura não existe, nem na nossa Constituição, nem no nosso Sistema Eleitoral... Mas a cereja em cima do bolo chegou pela voz de Carlos César: “Não é importante saber quais são as diferenças, entre Seguro e Costa. Importante é saber quais são as diferenças, entre o PS e a coligação que nos governa”. Hã?! Importa-se de repetir para ver se eu consigo perceber porque é e para que é que Vossa Excelência é Mandatário Nacional de António Costa?!

Pois eu cá diria que importante, importante mesmo, seria saber se, independentemente do candidato a candidato que ganhe as ‘primárias’, o diferencial fiscal dos Açores, em relação ao continente, voltará (ou não) aos 30%? É que para os Açores,  para a sua economia e para os seus habitantes, isto é o que, de facto, interessa!

P.S. Boas férias, bom descanso e…até ao meu regresso!