Há um ditado em inglês que diz “No news is good news” – ou seja, não haver notícias sobre determinado assunto é, normalmente, sinal de que está tudo bem. Seguindo a mesma lógica, podemos fazer a leitura inversa: quando um assunto aparece muitas vezes nas notícias, significa que algo vai muito mal.
Tendo em conta o número de vezes que a Escola Básica e Integrada das Capelas tem merecido atenção mediática, é fácil de perceber que os problemas são graves e que se arrastam há demasiado tempo.
Que problemas são estes? Bem, para começar, a escola tem cerca de trinta anos, e nunca sofreu qualquer intervenção profunda nas suas instalações, o que, por si só, já é suficiente para perceber alguns dos problemas com que professores, alunos e auxiliares se deparam diariamente.
Esta semana estive, mais uma vez, de visita à escola. Na biblioteca, por exemplo, além daquilo que estava à espera de encontrar – alunos, estantes, livros e computadores – deparei-me também com dois baldes... O que fazem dois baldes coloridos em plena biblioteca em dia de chuva? Penso não ser necessário explicar de onde vinha a água que estava lá dentro. E esta é apenas uma das variadas formas como o estado de degradação da escola se manifesta e interfere com a vida diária daquela comunidade escolar.
Enquanto a Escola das Capelas ameaça ‘cair de podre’, continua por cumprir a promessa eleitoral do PS, de construir uma escola nova. Uma promessa recorrentemente feita desde 2007. Até que, de repente, o actual secretário regional da Educação e Cultura dá uma ‘cambalhota’ e decide que, afinal, basta fazer um novo bloco e umas obras de reparação no resto da escola.
Nem a presença de amianto nas coberturas da escola – com os potenciais graves problemas de saúde que esta substância pode provocar – fez o Governo Regional deixar de votar a Escola das Capelas ao profundo esquecimento.
Mais do que voltar a testemunhar a degradação geral da escola, a minha visita desta semana serviu, acima de tudo, para conhecer de perto as condições do edifício cedido pela Escola Profissional das Capelas à Escola Básica para fazer face ao encerramento do Bloco D e das oficinas, que deixaram de ser utilizados por falta de condições de segurança.
O que encontrei não podia ser mais desanimador. E não sou a única a dizê-lo. Basta ouvir os alunos e os professores que usam as ‘novas’ instalações.
O edifício pertence à Escola Profissional e obriga, por isso, a percorrer uma grande distância, sem qualquer proteção da chuva, ficando afastados de serviços básicos como o bar ou a reprografia, por exemplo. Além disso, as salas de aulas são extremamente quentes, são de difícil arejamento, e, tal como a restante escola, mostram também muitos sinais de degradação, a sala de convívio – único espaço abrigado da chuva em que os alunos podem estar no intervalo das aulas – é minúscula e tem apenas quatro paredes... e muitas cadeiras.
São cerca de 200, os alunos do oitavo e nono ano que foram empurrados para aquele espaço sem condições mínimas: dentro das salas o ar irrespirável, fora das salas, o único espaço – além da ‘mini-sala de convívio – são os estreitos corredores.
Se fosse um escola privada e os professores vestissem de amarelo, a escola não estaria nestas condições. É vergonhoso que esta situação esteja a acontecer numa escola pública, numa região que é governada pelo Partido Socialista.
E Sr. secretário regional da Educação, não me venha com lágrimas de crocodilo pelos dados da Região no insucesso e abandono escolar. Olhe para esta escola, pense pela sua cabeça, e diga a esta comunidade se há ou não razões para que o sucesso seja mais difícil de alcançar, mesmo apesar dos sacrifícios e do empenhamento dos professores.