Na semana passada, o PSD/Açores – através dos seus deputados na Assembleia da República – veio acusar o Governo da República de ceder às posições políticas do BE acerca da presença militar norte-americana na base das Lajes. Uma base que agora designam por “base da NATO”.
A postura, quer do PSD, do PS e do CDS, de querer obter resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual é um sinal de extrema irracionalidade e irresponsabilidade. Está mais do que comprovado que persistir em adequar a nossa posição geoestratégica àqueles que consideram ser os interesses norte-americanos só tem servido para destruir emprego e, inclusive, o ambiente, com potencial prejuízo para a saúde pública dos terceirenses.
António Ventura e Berta Cabral podem ficar descansados, porque em resposta a várias perguntas colocadas, por escrito, ao Governo da República, pelo grupo parlamentar do BE, confirma-se que, infelizmente, tudo o que diz respeito à base das Lajes se subordina ao princípio inabalável do aprofundamento da relação entre os EUA e o Estado português. E por «aprofundamento» entenda-se a contínua subserviência àqueles que são os interesses norte-americanos. Nesse sentido, qualquer utilização alternativa da base das Lajes terá de ter sempre a bênção e o aval da Administração norte-americana.
Não deixa de ser interessante o manifesto orgulho que Berta Cabral e António Ventura têm ao assumirem a base das Lajes como uma “base da NATO”. Parece-me que Portugal, enquanto membro fundador da NATO, ao ter uma base da NATO em seu território, não estará em posição de exigir qualquer contrapartida, aliás, mais facilmente o Estado português poderá ser confrontado com a possibilidade de também vir a contribuir para o funcionamento das bases da Aliança do Atlântico Norte. Por outras palavras, e descomplicando, o orgulho na conversão da base das Lajes numa base da NATO só levará a que o Estado português tenha de a pagar, em vez de esperar qualquer contrapartida pela sua utilização, para, dessa forma, conservar o seu estatuto de membro de pleno direito.
Não se trata de uma possibilidade mirabolante, basta ter em atenção o novo conceito estratégico da NATO que prevê o aumento da responsabilidade atribuída a todos os Estados membros, comprometendo-os com aqueles que são os seus objetivos comuns.
Seria, pois, aconselhável que o PS, e sobretudo o PSD, moderassem a sua subserviência direta aos interesses norte-americanos, ou indiretamente, por via da NATO, caso contrário, daqui por uns anos estarão a discutir o montante a ser pago pelo Estado português para manter uma base NATO no seu próprio território.