No último ano, cerca de 200 alunos, não bolseiros, desistiram dos seus estudos, na Universidade dos Açores (UAç). Numa região que depende da qualificação dos seus recursos humanos para o fomento da empregabilidade e, sobretudo, para o seu desenvolvimento e garantia de futuro, estes números têm que ser encarados com grande preocupação.
As Universidades Portuguesas estão mais elitizadas, há mais estudantes excluídos do Ensino superior e os direitos, afinal, pagam-se muito caro. Os/as portugueses/as gastam, em média, 63,3% do seu salário para ter um/a filho/a na universidade, um dos valores mais altos da UE.
Estes dados significam uma alteração fundamental na democracia portuguesa: o Estado demite-se da sua função de garantir que os estudantes têm acesso ao Ensino superior, independentemente da sua condição económica, passando a responsabilidade para as famílias e fechando os olhos às desigualdades que deliberadamente acentua.
Evidentemente que a UAç não está imune (bem pelo contrário) a todo este descalabro de prioridades políticas e, por isso, não é de estranhar que se debata com dificuldades acrescidas que vão do encerramento de cursos e falta de materiais básicos para o ensino, aos salários em atraso e à situação de inaceitável (sob vários aspectos) colapso da granja universitária.
O que é de estranhar é que a sua administração sucumba, obedientemente, aos ditames e desinvestimentos do Governo da República, preferindo ir buscar dinheiro aos/às estudantes e respectivas famílias (através do plano de recuperação de propinas), antecipando mais desistências e, por via disso, a falência da própria universidade, cuja sobrevivência também depende do aumento da sua dimensão e qualidade.
E não me digam que o país não tem dinheiro porque eu respondo que é feio apontar com o dedo e, ainda por cima, em várias direcções.
Perguntemos, antes, à própria UAç, quantas Bolsas Regionais de Apoio a estudantes dependentes de agregados familiares, com situações de desemprego e carência económica, ou trabalhadores-estudantes em situação de desemprego, ela já despachou?
Quantos/as estudantes têm conhecimento desta bolsa, proposta pelo BE/A e aprovada, na ALRA?
Não seria o momento de a publicitarem, em cada cantinho da instituição?