Hoje, face ao tsunami social e económico inevitável, por via do “abandono” da Base das Lajes pela administração norte-americana, só há um caminho digno para o actual Governo Regional: exigir, adequadas compensações excepcionais para os trabalhadores despedidos, para a economia da ilha Terceira e, em particular, do concelho da Praia da Vitória, tanto à administração norte-americana, quanto ao governo português; estabelecer uma moratória para a desactivação da componente militar da base; lançar, durante este período, os estudos e a concretização de utilizações pacíficas para esta infra-estrutura, capazes de desenvolver a economia da Ilha e da Região.
Os trabalhadores da Base das Lajes são vítimas da submissão de sucessivos governos da República e da Região, aos ditames das administrações norte-americanas. A governação portuguesa sempre contemporizou com a progressiva redução de pessoal açoriano afecto à Base, bem como com os constantes atropelos aos direitos dos trabalhadores. Tudo, em nome de uma aliança militar prejudicial ao nosso País, ao ponto de nos envolver numa guerra ilegal, à luz do direito internacional, como foi o caso da invasão do Iraque.
Sobretudo, após 2009, com o novo conceito estratégico da NATO, ficou claro que a Base das Lajes iria perder importância, na estratégia militar americana. Nessa altura - tal como hoje -, os governos da República e Regional continuam de joelhos, face a quem se comporta como um senhor feudal, sem qualquer respeito por Portugal, pelos Açores e, menos ainda, pelas centenas de trabalhadores em causa.
Não é preciso ser um especialista encartado para perceber duas coisas: por um lado, a administração norte-americana pretende assegurar a manutenção de uma base ‘adormecida’, para o que der e vier, a custo zero. Por outro, ninguém, em seu perfeito juízo, ali investirá em alternativas civis, sabendo que, a qualquer momento, lhe poderão dizer: ‘pára o negócio porque agora queremos fazer uma guerra!’.
Os Açores precisam de assegurar produção de riqueza e postos de trabalho. A opção, legítima, só pode ser uma.