Centralismo liberal

Não é o centralismo, por si só, que tem pervertido o modelo harmonioso autonómico. O problema encontra-se na origem desse centralismo, um liberalismo desenfreado e dogmático. E que tem vindo, paradoxalmente, a fortalecer-se, apesar de ter estado na origem da crise económico-financeira mundial de 2008.

A liberalização dos transportes aéreos na Região é o resultado de quem aposta todas as fichas no alegado efeito autorregulador do mercado, como se ainda não tivesse aprendido a lição de que esse efeito é mais uma questão de fé do que um facto económico. O liberalismo não é, nunca foi e nunca será, compatível com modelos económicos e sociais de desenvolvimento sustentável e harmonioso. Porque cria e aprofunda desigualdades, logo é c   contraindicado, sobretudo, para a nossa Região.

Não esqueçamos que a rota aérea que liga a Terceira ao continente está liberalizada e que, afinal não surgiram quaisquer companhias aéreas interessadas na sua exploração, nem mesmo a TAP e a SATA. E ao contrário das declarações, por escrito, do Sr. Secretário Regional do Turismo e Transportes, estamos perante a concretização de uma possibilidade que era tida como ‘puramente académica’. E agora? Agora, resta esperar para que se restabeleçam as obrigações de serviço público para a ilha Terceira e que alguma companhia aérea demonstre algum interesse.

O Senhor Secretário Regional do Turismo e Transportes, de «rodriguinho», em «rodriguinho», nunca esclarece, de uma vez por todas, que não existem limites de preço para as tarifas aéreas nas rotas liberalizadas e que a alternativa, para os passageiros que não pretendam adiantar o custo, eventualmente exorbitante, num futuro, mais ou menos próximo, é serem encaminhados para as ilhas abrangidas pelas obrigações de serviço público, sujeitas à prática do preço máximo de 320€

E temos ainda as conferências de imprensa que publicitam promessas repetidas, num decalque de promessas feitas em outras paragens. Como é possível acreditar que um único avião com capacidade para 189 passageiros criará 350 postos de trabalho? Quem avançou com tal promessa também prometeu que a abertura da base em Lisboa criaria 2000 postos de trabalho. Onde estão esses postos de trabalho? E perante um possível estrangulamento da SATA-Internacional, haverá despedimentos? E entre a criação de empregos, por companhias áreas low-cost, e despedimentos na SATA, o saldo será positivo? Pois é, pois é… resta-nos esperar pelas respostas do mercado.