Sou optimista, por natureza, mas tenho uma linha vermelha que me recuso a ultrapassar, sob pena de cair nos braços da resignação. Uma coisa é trabalhar para que algo de bom, justo ou urgente aconteça e partir sempre do princípio que pode acontecer. Outra coisa é ver o vazio à frente, recusando admitir que o caminho traçado (para fazer acontecer) tem que ser reformulado.
Vem este arrazoado intimista a propósito da visita dos membros do Conselho de Opinião da RTP à nossa Região. Não me entendam mal, por favor: são sempre todos/as bem-vindos/as, sobretudo, quando sabemos que ‘torcem’ – e bem! – pelo direito dos Açores a um serviço público de rádio e televisão digno, eficiente, isento, de qualidade e da responsabilidade do Estado. Até aqui, tudo bem. Mas, com toda a franqueza, já não há pachorra para ouvir debitar processos de bondosas intenções, declarações esperançosas que (até hoje) nunca se concretizaram ou promessas de um futuro radioso para o Centro Regional dos Açores.
No que diz respeito ao nosso serviço público de rádio e televisão, já nos aconteceu um pouco de tudo: ameaça de redução da emissão da RTP/Açores a uma ‘janelinha’ de 4 horas diárias; talvez, até, o fim da tal ‘janelinha’, por inútil e dispendiosa; um Conselho Geral Independente (?!) que iria tomar conta das ocorrências e, finalmente, garantir-nos o que continuamos a não ter; e, por fim, o nosso Centro Regional é, novamente, recambiado para o Estado e para a empresa mãe de onde, aliás, nunca deveria ter, sequer, pensado sair.
A verdade é que, anos passados sobre estas e outras tropelias, tudo continua na mesma: faltam infra-estruturas decentes, faltam equipamentos capazes, faltam novas tecnologias, faltam recursos humanos, falta formação específica para os profissionais da arte, falta autonomia administrativa e financeira, falta responsabilidade e respeito por todos/as nós. O que é que sobra, então? Sobram queixas pelo ‘mau’ serviço prestado por profissionais a quem se pede o milagre de fazerem omeletes sem ovos; sobra precariedade laboral, com trabalhadores a recibo-verde, durante 5, 7, 11 anos a fio; sobra negligência, indiferença e um desconhecimento inaceitável do que é fazer rádio e, sobretudo, televisão, numa região com as singularidades da nossa.
Alguém conhece o Plano de Actividades, Investimentos e Orçamento da RTP.SA para 2016? Eu não conheço e, surrealmente, o Governo Regional também não! Conhecemos, isso sim, o Parecer elaborado pelo Conselho de Opinião sobre o referido documento. Será normal esta situação? Não, não pode ser! Mas façamos de conta que esta anormalidade é, apenas, conjuntural. Que nos diz o tal do Parecer? Diz-nos, muito directa e frontalmente (ainda que de forma piedosa e eivada de um tímido optimismo), que o Centro Regional da RTP/Açores – a menos que alguém dê um murro na mesa e diga ‘Basta!’ – vai continuar a marcar passo e à espera de melhores dias que, eventualmente, no futuro, chegarão…ou não!
E, já agora – porque o futuro é já amanhã -, muito gostaria de saber se, à semelhança do que tem acontecido (nos últimos actos eleitorais, regionais e nacionais), a tradição de não haver debates (entre os partidos políticos concorrentes), na RTP/Açores, se manterá, nas eleições legislativas regionais de Outubro próximo? Perguntar não ofende. Certo?