Faltam três dias para, finalmente, votarmos. Nestes últimos dias, temos assistido - quer do lado da coligação, quer do lado do PS - ao cliché do costume: pedir, das formas mais imaginativas, a maioria absoluta.
Apesar da confusão das sondagens e havendo-as para todos os gostos, uma coisa temos como certa: nenhum partido terá maioria absoluta.
Também por este facto, no Domingo, não vamos eleger um primeiro-ministro, qualquer que ele seja. Vamos eleger deputados/as para a Assembleia da República, que serão a base política de um futuro governo.
Está, pois, nas mãos de qualquer eleitor/a reforçar o número de deputados/as que se opõem à continuidade destas políticas de austeridade, que têm lançado os/as portugueses/as no sofrimento, na emigração, no desemprego e na pobreza, colocando o País num buraco bem negro.
É por isso que a abstenção (eventualmente escolhida por quem quer demonstrar a sua revolta) é errada. A revolta daqueles/as que sofreram com a austeridade tem de ser transformada no desejo de mudança. Não ir votar não altera nada! Mantém o que está, ou seja, as mesmas políticas.
A decisão de votar contra estas políticas, evidentemente que não passa por votar na coligação PSD/CDS, que é o símbolo máximo das mesmas.
E também não passa por votar no PS, a desilusão da campanha.
António Costa iniciou a sua longa campanha a afirmar que era contra a austeridade. Mas que medidas novas apresentou?
Atacar a sustentabilidade da Segurança Social, cortar nos apoios sociais (em cerca de mil milhões de euros) e facilitar despedimentos. Só estes três exemplos são de arrepiar! Então, onde está a diferença com o PSD/CDS? Então, onde estão as políticas contra a austeridade?
O Partido Socialista, tal como a direita, tudo quer resolver indo, mais uma vez, buscar dinheiro a quem trabalha ou a quem já trabalhou.
PSD/CDS e PS não vão fazer diferente porque, ao invés de defenderem o País e os/as portugueses/as que vivem do seu trabalho, optam por continuar a servir o sector financeiro, insistindo em pagar o serviço de uma dívida impagável, definhando o País e mantendo-se atrelados ao Tratado Orçamental, que é a bíblia da troika.
Por isso, parecem tão parecidos. E mesmo com propostas diferentes, vão atacar sempre os mesmos.
Ser consequente com a revolta que nos assola não é, seguramente, a abstenção, contra esta caldeirada. Ser consequente é votar diferente. É votar em quem não esconde os problemas e apresenta soluções concretas.
Soluções como a renegociação da dívida, a alteração da base de impostos, a diferenciação séria das bases de sustentabilidade da Segurança Social, tratando-a como o coração da democracia.
Este voto é no Bloco de Esquerda - no País, como na Região Autónoma dos Açores.
Carlos César e Berta Cabral passaram a campanha sem dizer nada de concreto sobre os seus compromissos para com os Açores. Pelo contrário, o Bloco de Esquerda/Açores apresentou propostas concretas e compromissos claros sobre as Finanças Regionais, a Saúde, a defesa dos nossos recursos e o aprofundamento da Autonomia.
A diferença está à vista: uns estão do lado do futuro e dos que podem cada vez menos; outros querem manter tudo na mesma e defender os poderosos.
Que a sua revolta e desânimo seja transformada em factor de esperança!
Decida o seu voto…no Bloco!