A desfaçatez dos Governantes que apelam à emigração como solução para o desemprego!

 

Quando Portugal pediu o resgate tinha uma dívida de cerca de 97% do Produto Interno Bruto. Em Maio de 2012 a dívida portuguesa encontrava-se em cerca de 114% do PIB, ou seja, Portugal está refém de uma espiral de recessão económica e social. O resultado da receita da Troika está bem à vista: aumento exponencial da dívida, austeridade bloqueadora de qualquer tipo de crescimento, e consequentemente, escalada de desemprego, falta de rendimentos que garantam uma vida digna às pessoas, ausência de perspetivas de futuro para a grande maioria dos jovens e dos desempregados.

Como se já não bastassem a imprudência e a desfaçatez do Primeiro Ministro de Portugal que, não há muito tempo, aconselhou como solução para o desemprego jovem a emigração. Passos Coelho, considerando ainda o desemprego como “oportunidade para mudar de vida”, criticava a falta de empreendedorismo dos/das desempregados/as portugueses/as. Parece que desconhece a inexistência de acesso ao crédito, ou que grande parte dos desempregados portugueses são de longa duração, com idade avançada e sem qualificações específicas! Depois veio a arrogância e malvadez do Ministro Miguel Relvas que não se coibiu de considerar muito elogioso para Portugal a “exportação de conhecimento”, referindo-se às pessoas com maiores qualificações e que são obrigadas a abandonar o nosso país, por falta de oportunidades de trabalho. E agora, o Representante da República para os Açores, Pedro Catarino, na sessão solene comemorativa do Dez de Junho, ressaltando os efeitos das medidas de austeridade que se fazem sentir nos Açores, realçou especialmente as consequências ao nível do desemprego, da paralisação na construção civil, e da perda de população jovem que, não tendo oportunidades de trabalho após a sua formação, não volta para as suas ilhas. Lamentavelmente, na sequência deste discurso, apontou para a mobilidade e as possibilidades que a Europa pode proporcionar, indicando o caminho da emigração para os/as jovens açorianos/as. A situação do desemprego nos Açores, tal como no resto do país, é muito grave. Temos 17% de desempregados, muito mais de 20 mil pessoas e, “sob a capa” de estágios, programas de ocupação ou formação, escondem-se números muito mais altos do que os números oficiais que o Governo Regional apresenta.

Ao invés de romper com a política destrutiva da Troika, que está a destruir as condições de vida das pessoas e a hipotecar o futuro do país, indicar a emigração como solução para o flagelo do desemprego é, no mínimo, uma autêntica irresponsabilidade de governação e uma imensa falta de respeito para com os/as portugueses/as.

Só falta a desfaçatez de dizer, claramente, que Portugal estará melhor quando não tiver pessoas!