Todos os dias assistimos, horrorizados/as, ao massacre de vidas humanas, no Mediterrâneo.
Homens, mulheres e crianças que escapam à morte no mar, esbarram com muros da vergonha - na Hungria, com 175Km de comprimento! -, com humilhantes e indignos campos de refugiados/as - na Itália, Grécia e Líbano -, com o desprezo das autoridades e até com cargas policiais ultrajantes.
Afinal, quem são estas pessoas que arriscam a sua vida e a dos seus?
São, esmagadoramente, gente que foge da guerra, da tirania, dos abusos de toda a ordem, da fome e da miséria, cujo desespero os/as leva a lançar-se ao mar, como última alternativa de vida (ou de morte).
Só uma desesperança indizível pode levar centenas de milhares de pessoas a tão temerária atitude.
São oriundas da Eritreia, da Etiópia, da Líbia, da Síria, do Iraque e de tantos outros países, onde imperam os senhores da guerra e as suas atrocidades, o "Estado Islâmico" e o seu programado genocídio.
Ao contrário da propaganda da União Europeia, estas pessoas não são os habituais emigrantes económicos, não são presas dos novos traficantes de seres humanos. Não! Sendo evidente que, num drama desta magnitude, haverá de tudo, a esmagadora maioria foge dos algozes, patrocinados e armados pelos Estados Unidos e pelas humanistas democracias ocidentais.
Todos/as nos lembramos da imensa mentira que justificou a invasão do Iraque e suas consequências. Todos/as nos lembramos do apoio económico a tudo o que era grupo que se opusesse ao ditador da Líbia, o mesmo acontecendo, na Síria, para derrubar o ditador Assad. E não esquecemos que o denominado "Estado Islâmico", enquanto ISIS, foi apoiado pela Arábia Saudita e, na Síria, foi apoiado pelas democracias ocidentais, sob o pretexto do combate ao ditador.
Na busca de melhor posicionamento geopolítico e domínio da rota da energia, os Estados Unidos e a Europa não olharam a meios para obterem os seus objetivos. Por isso, fecharam os olhos ao progressivo fortalecimento de autênticos terroristas, os mesmos de quem tanta gente inocente, agora, foge.
É um crime contra a humanidade o facto da Europa não ter uma política séria de acolhimento destas pessoas. É um crime contra a humanidade o facto da UE deixar construir (dentro do seu espaço) novos muros da vergonha, como na Hungria, Ceuta ou Melila, numa tentativa assassina de impedir que pessoas (que fogem às consequências da sua política externa) entrem na Europa. É um crime contra a humanidade que, no verdadeiro "muro " que é o Mediterrâneo, não hajam os meios necessários para evitar tanta morte.
Reuniões após reuniões e os resultados são apenas o vazio e a retórica!
Merkel, Hollande, Cameron e companhia defendem, nos seus países, que são os imigrantes os culpados do desemprego que grassa na Europa, que consomem muito dinheiro dos apoios sociais e outras ladainhas, com que nos enchem os ouvidos.
Tudo isto, para esconder que as suas políticas são fruto das imposições do capital financeiro que comanda a Europa. E que pretende colocar europeus contra imigrantes, dividindo…para continuar a reinar.
Tenham vergonha!