Diferenças, procuram-se!

Em torno da situação interna do Partido Socialista, está montado um circo mediático de enorme dimensão.

Mesmo que se não queira, é impossível não prestar alguma atenção à constância de tal espectáculo: - como se vai dirimir a crise do PS? Por directas? Por primárias? Por Congresso Extraordinário? E é nisto que se consomem programas e comentários televisivos, folhas e folhas de jornal.

Ou muito me engano, ou nada disto interessa ao País. O que interessa ao País é saber o que é que António Costa traz de novo e que políticas o diferenciam de Seguro. Ninguém poderá aceitar que as diferenças se resumam a personalidades e estilos distintos…

A verdade é que, até agora, não consegui distinguir aquilo que, verdadeiramente, importa. António Costa apresentou-se, no Porto, afirmando querer um governo forte e coeso, que gere confiança, estabilidade e esperança. Além disto, diz ter uma agenda para dez anos, centrada na valorização, conhecimento, modernização e coesão.

Resumindo: um conjunto de banalidades sem conteúdos, ditas (é certo) com ar muito convicto, com voz forte, ênfase mas…nada mais.

Já agora, tanto tempo de antena devia servir, no mínimo, para António Costa apresentar o seu pensamento político. Penso, aliás, que sobre certos temas, será mesmo obrigatório. Por exemplo:

- Vai continuar a sangrar o País, todos os anos, com os 8.000 millhões de euros, só para pagar juros, que tanta falta fazem à Saúde, à Educação e à Economia?

- Vai assumir o cumprimento do Tratado Orçamental, que condena Portugal a cortar nos serviços públicos e a manter uma economia anémica?

- Vai repor o que foi roubado, nos salários, pensões e nos direitos dos/as trabalhadores/as, como o horário semanal?

- Vai alterar, a sério, o saque que representam as PPP’s e as rendas do sector eléctrico?

Estas questões - não sendo as únicas - são centrais para a definição e substância de uma política concreta, para o nosso País. E é bom lembrar que Seguro já lhes respondeu, afirmando que nada iria mudar, em relação ao que Passos e Portas praticam.

Está, pois, na hora de António Costa se deixar de frases tronitroantes (mas de conteúdos ocos) e começar por falar verdade - desde logo aos/às socialistas mas, sobretudo, ao conjunto dos/as portugueses/as -, dizendo, clarissimamente, ao que vem.

Até agora, tem ido de mal a pior: apresentou o ‘seu programa’, no Porto, é certo, mas sobre aquilo que verdadeiramente importa para a vida das pessoas, nada de concreto, diferente ou mobilizador disse. Este não é um bom caminho.

Pessoalmente, tenho muita curiosidade, em ler ou ouvir as respostas de António Costa a estas simples perguntas. Até para confirmar (ou não?) aquilo que tantas vezes tenho escrito e dito, ou seja, que a essência da política do Partrido Socialista é a mesma do PSD/CDS, obediente a Merkel, à União Europeia e à Banca. Relativamente ao povo português, se não é carrasco é, no mínimo, cúmplice.

Não escondo, portanto, a imensa curiosidade, atrevendo-me a adivinhar que, como eu, estarão muitos e muitas portugueses/as.

Ou será que vamos assistir à continuação deste circo mediático, sem se ouvir falar de política a sério, mas tão só de ninharias, manobras e frases feitas?