Considerando o início das lutas pelo respeito e igualdade das orientações sexuais e identidades de género diversas em 1969 com a revolta de Stonewall, com a despatologização da homossexualidade em 1990 e tendo em conta que cada pessoa tem direito à liberdade de crença, culto e louvor, é necessário levantar o debate público relativamente aos riscos da não aceitação das pessoas queer pela Igreja que podem resultar em problemas de saúde mental e emocional, além de afetar a sensação de segurança e pertencimento dessas pessoas na comunidade religiosa. A inclusão e aceitação de indivíduos LGBT é fundamental para garantir que todos se sintam acolhidos e respeitados dentro de uma comunidade de fé.
É inegável que a religião não acompanhou a evolução social e não está nem perto de eventuais mudanças, apesar das belas homilias e das aclamações de fé ambíguas. Na verdade, pode-se prever que a inclusão e a diversidade estão muito longe da nossa realidade, pelo menos nos Açores onde a sociedade é orientada pela religião e pelos seus costumes. Atentemos a que a “febre” das festas religiosas nos Açores é de maio a outubro, principalmente com as celebrações dos Impérios do Espírito Santo, metade de um ano, somando a época quaresmal com as típicas romarias em São Miguel e ainda o advento. Assim, e às “garras” do cristianismo, orientando as relações e comportamentos estabelecidos na sociedade com o suporte da bíblia, pessoas que mesmo não tendo sido criadas em famílias cristãs, acabam sendo influenciadas, pois estes valores estão enraizados no inconsciente coletivo.
As igrejas são então instituições, que procuram construir parâmetros “normativos” e atuam utilizando diversas formas, seja por meio de dogmas ou de padrões de ordem moral para garantir estes padrões nas quais formam grupos de fiéis. Por isso, é comum grupos políticos de direita, e principalmente extrema-direita, tentarem estabelecer uma união entre a política e a religião, como podemos ver atualmente - aproveitando a crise política pela qual estamos a passar - sobretudo através de discursos como os que apresentam os representantes do partido Chega Açores, que assumem os direitos LGBTQI+ como atentados à família tradicional portuguesa, e se aliam ao movimento de “deixem as crianças em paz” e às ditas “ideologias de género” em que se entende a ligação ao “KIT GAY”, a lendária polémica durante o governo de Bolsonaro no Brasil.
Neste contexto, fala-se então em “estar no armário”, um termo utilizado para pessoas que não vivem a sua verdade por meio da invisibilidade devido meios heteronormativos tóxicos, como é o caso da igreja católica que persegue, condena e procura concertar. É de notar que o “assumir” muitas vezes pode significar a expulsão de casa, a perda do emprego ou, em casos extremos, até a morte.
Concluindo, é facto que nas atuais gerações, com a ajuda das redes sociais, a tendência é estes argumentos caírem em desuso devido a uma bola de neve de contradições e por se considerar que diversidade e religião não são compatíveis. As igrejas que deveriam ser de amor ao próximo, fundamentam discriminações e violências ao invés de ajudar a humanidade e assumir a diversidade de géneros como contribuição de amor e fraternidade como até o próprio Papa Francisco propõe.