Em modo de balanço

Não é fatal, como o destino, mas anda lá perto… Aproveitar o início de cada Novo Ano para eleger o(s) acontecimentos(s) que marcaram, positiva ou negativamente, os 365 dias vividos, é quase um exercício obrigatório. Vamos, então, a isso:

Na política regional, penso que o facto político mais revelante foi o contributo que os/as Açorianos/as deram para derrotar a coligação de direita PSD/CDS. Este facto permitiu mudar o Governo da República para um governo do Partido Socialista, com o apoio parlamentar das bancadas da esquerda - BE, PCP e PEV.

Os acordos alcançados permitiram inverter o ciclo de austeridade que a coligação de direita se propunha, não só continuar, como intensificar. Assim, no início deste ano, os/as Açorianos/as vão obter alguns benefícios do seu contributo para a derrota da direita. Parcos, é certo, mas bem-vindos.

Contudo e apesar da propaganda do Governo Regional sobre a subida do PIB, na Região, mantemos um aumento brutal da precariedade laboral: 85% dos novos empregos são precários e pagos, na base do ordenado mínimo regional - e, muitas vezes, nem isso. A maioria dos/as trabalhadores/as açorianos/as trabalham mas não deixam de permanecer no limiar de pobreza,

Acresce os cerca de 12% de desempregados/as e os cerca de 6.000 trabalhadores/as que estão em programas de ocupação ou outros, sem, contudo, terem quaisquer perspetivas de futuro.

Estes factos continuam a estar na origem do elevado nível de pobreza, que permanece, na Região, e são responsáveis pelos baixíssimos índices sociais, com que vivemos. Se é um facto que o PIB regional aumenta, a política do Governo Regional continua a distribuir a riqueza sempre para os mesmos, descurando a maioria.

Ao longo do ano que, agora, estamos a estrear, o grande tema político será a realização das eleições regionais, em Outubro próximo.

Tal como aconteceu, a nível nacional, está nas mãos dos/as Açorianos/as usarem o seu voto, para porem fim ao reinado da maioria absoluta do PS, o qual tem mantido políticas que colocam os Açores, na cauda dos índices sociais do país.

Está na hora de uma nova política para o Mar, que permita aos Açores um salto para uma economia desenvolvida, capaz de atrair emprego qualificado. Está na hora de transformar, uma vez por todas, a nossa posição geoestratégica, num factor de progresso, ao invés de permanecer um ‘nado morto’, ao serviço de interesses estrangeiros, completamente alheios aos nossos. Está na hora de um reforço dos nossos poderes autonómicos, atribuindo aos Açores e aos/às Açorianos/as capacidade vinculativa (e não, meramente, consultiva), sobre tudo aquilo que condiciona o nosso território e as nossas populações.

Não, nem tudo são ou serão rosas. Mesmo assim, tendo em conta os passos tímidos do Partido Socialista, no Governo da República - resultantes do acordo alcançado com os partidos de esquerda - penso que os passos positivos já dados (mais aqueles, entretanto, acordados) permitirão iniciar uma efectiva recuperação de emprego.

Além disso, se o prometido for cumprido - no que diz respeito à aposta na qualificação dos/as portugueses/as e, particularmente, na investigação científica, a par de novas políticas de protecção e desenvolvimento dos serviços públicos, como a educação, a saúde e a justiça – estou convicta de que poderemos iniciar uma retoma que tenha, de facto, as pessoas, no centro da acção política.

À luta, portanto!