Empata oportunidades

Depois de termos a economia de uma região e de uma ilha dependente de uma única fonte de rendimento - a renda proveniente da base da Lajes paga pelas forças militares norte-americanas - agora, depois de um processo gradual de desvalorização daquela infraestrutura, o status quo teima em implorar, rezar, suplicar e depositar toda a esperança e toda a fé na possibilidade de continuarmos dependentes, subservientes, nem que por uma pequena… vá lá… ínfima compensação que não precisa ser em dinheiro vivo, como foi outrora, mas que pode ser através de uns almoços na restauração local, de umas compras no comércio local ou da cobrança de umas rendas sobrevalorizadas de uns quantos palacetes, como se fossemos mais espertos do que os inquilinos, os quais, há muito se transformaram nos donos daquilo que foi nosso, porque o tal desnivelamento de poder entre duas nações, apesar de amigas, assim o ditou.

Chegou a altura de criar (ou recriar) mais uma ilusão para, pelo menos, acreditarmos que somos ambiciosos e audazes, mas sem nunca importunar o amigo instalado. Vamos acreditar (com muita força) que podemos ter uma base que dá para tudo! Dá para receber escalas técnicas, ser um hub da aviação civil intercontinental, receber voos de companhias de baixo custo aos magotes, mas sem nunca colocar em causa a presença militar norte-americana tão necessária, lá de vez em quando, ao sabor das necessidades dos nossos inquilinos (…donos…), mesmo que toda atividade civil e comercial tiver que ser encerrada para atender às atividades preventivas da guerra.

Os nossos inquilinos agradecem este último malabarismo, assim até deixam de pagar pela manutenção da pista, que tiveram a gentileza de nos ceder para a utilizarmos para a aviação civil, e podem continuar a utilizar a base (incluindo a pista), da forma e com a frequência que entenderem. Aliás, quanto maior a frequência melhor, pois é sinal que afinal as Lajes são importantes, mais importantes do que qualquer futura utilização civil, que será, sempre, relegada para segundo plano, quando as ações militares (preventivas da guerra) dos nossos inquilinos (ou donos) nos colocarem no centro geoestratégico (sempre para a prevenção da guerra).

Pedimos, encarecidamente, aos nossos inquilinos (donos) que nos arranjem umas ideias para conseguirmos sobreviver. Ficamos a aguardar pela descida divina da inspiração que nos fará ter esperança na caridade de quem nos explora. E logo surgem umas ideias interessantes como a instalação de uma unidade fabril, mas que poderia ser muito mais, se tivéssemos a coragem para ousar caminhar para uma conversão total da utilização das atuais infraestruturas da base militar norte-americana.

Lamento, pois bem sei que nem teremos uma micro-mini-alternativa, por constatar que não se saiu do marasmos de continuar à espera do milagre de termos uvas onde já não há vinha.