A Escola Pública - tal como todos os outros serviços públicos – é paga pelos impostos de todos/as os/as contribuintes portugueses/as. A brutal carga fiscal a que estamos sujeitos/as permitiria esperar que estes mesmos serviços fossem incrementados e aperfeiçoados, no sentido de darem as respostas necessárias ao quadro de miséria e empobrecimento generalizado que se abateu sobre a nossa sociedade.
É legítimo exigir que a mais dinheiro saído dos nossos bolsos, corresponda uma maior qualidade dos serviços públicos prestados. Escandalosamente, tal não é o caso. Bem pelo contrário: quanto mais dinheiro nos roubam, menos nos dão em troca.
É por isso que o anunciado corte de quatro mil milhões de euros que o Governo da República pretende fazer, nas funções sociais do Estado, é uma declaração de guerra feita a todos/as nós.
Ninguém negará, também, que a crise social que a Região atravessa tem, hoje, um impacto particular sobre as crianças e os/as jovens, bem demonstradas nas taxas de pobreza infantil.
Todos/as aqueles/as que conhecem as escolas da Região, bem sabem que é aí que, socialmente, se torna mais visível o impacto desta pobreza generalizada e galopante. São crianças e jovens cuja história familiar é a história da crise social portuguesa dos últimos anos: famílias mais pobres que empobrecem ainda mais, famílias a braços com situações de desemprego, famílias com perda ou insuficiência de apoios sociais. E, em muitos casos, famílias mergulhadas num sentimento de vergonha inesperado, porque se viram, sem aviso prévio, numa situação de carência que nunca adivinharam.
A Escola Pública e, sobretudo, quem a tutela, não pode fechar os olhos a esta multiplicação de situações de carência. A fome, nas escolas, não se compadece com condicionalismos burocráticos, pelo que a atribuição do pequeno-almoço e de uma refeição quente diária não pode depender de processos de sinalização que implicam a intervenção de equipas multidisciplinares ou da solicitação da família.
A única resposta decente e digna da Escola Pública é atender, imediatamente, a solicitação de uma criança ou jovem que reconhece ter fome. Pagamos todos/as para isso. Não aceitamos menos.