Apresentação manifesto regional do BE/Açores | Europeias 2014 | Jorge Kol Carvalho (mandatário)

Começo esta minha breve intervenção com as mesmas palavras com que comecei a apresentação da minha candidatura às últimas autárquicas porque nunca é demais referir, a qualidade Humana, (com H maiúsculo), de que já me desabituara, porque está caída em desuso, com que o Bloco nos acolhe e envolve, sem regatear o que quer que seja, exigindo apenas pensar, reflexão e coragem, por um futuro diferente para melhor.

No arranque daquela que seria para mim uma experiência única, por muito gratificante, dizia eu; e agora repito:

- Nunca imaginei, nem nunca me passou pela cabeça poder estar hoje aqui incumbido desta responsabilidade!

Primeiro porque sou técnico, e segundo porque sou arquitecto.

E em nós arquitectos muito poucos acreditam.

Talvez só os poetas e visionários nos convidam para trabalhar, para trocar umas ideias.

E assim assumo trocar convosco umas ideias.

Em 1866, há quase 150 anos Camilo Castelo Branco, no seu romance “A queda dum anjo”, punha na boca de um deputado:

…”Não espremais o úbere da vaca faminta, que ordenhareis sangue! Não queirais converter os clamores do povo em cantorias de teatro! Não vades pedir ao lavrador quebrado de trabalho os ratinhados cobres das suas economias para regalos da capital, (aqui eu hoje num à parte, diria do capital) enquanto ele se priva do apresigo de uma sardinha, porque não tem uma poeja com que comprá-la.”…

Infelizmente, num quadro de pobreza e injustiça social que pareceria longínquo a actual realidade não difere tanto assim, e por isso, século e meio depois, este tem que ser ainda o discurso de hoje.

A Europa da austeridade lançou a recessão geral e a insolvência dos países do sul, acarretando com ela a catástrofe social, a diluição do Estado Social, a que o povo generalizadamente assiste incrédulo e inoperante, por receoso.

Sofremos aqui nos Açores, Região Ultraperiférica de fragilidades inerentes, e também no Continente, pela mão dos três partidos do leque das governações, e que se dizem tão diferentes, a mesma prepotência de maiorias que na salvaguarda dos seus interesses próprios agem em democracia como se estivéssemos em ditadura.

As ideias deixaram de se discutir, de se aprofundar, de se partilhar para levianamente e prepotentemente serem tomadas em abono do capital e prejuízo das pessoas.

A Democracia atrofiou!

Fomos defraudados, reduzidos a números de uma equação de resultado negativo.

Em cantorias de teatro cá e lá remetem as culpas à governação nacional e europeia respectivamente, sem que lhes passe pela cabeça que podem e devem usar instrumentos de que dispõem para fazer diferente, porque só com políticas diferentes se pode alterar o actual estado da Região e do País.

Neste quadro, que remete a Região para o primeiro lugar das desigualdades, com a Europa e o Continente e até o Governo Regional, como actores das políticas contra os interesses dos Açores, entendo a necessidade de congregar convergências à esquerda em vez de separar e dividir por divergências de somenos importância.

Essa convergência em que nos revemos, por acreditarmos no Bloco, no seu pensamento livre, na sua coragem, é capaz de nos conduzir a outro caminho, certamente com sacrifício, mas com outra política, a outro horizonte mais próspero, de defesa da economia regional, da justa redistribuição da riqueza e da melhoria das condições de vida dos açorianos e das açorianas; por isso aceitei o desafio, desejando que em bloco continuemos, congregados no manifesto, que hoje nos é apresentado, contra o actual estado do País e da Região numa Europa realmente solidária.

Farei por isso!

Share this