Não podia deixar de tecer algumas considerações, sobre as recentes Eleições Europeias e também sobre alguns sinais preocupantes que, numa primeira leitura, me assaltam.
Como é assinalado por todos/as os/as jornalistas, comentadores/as e políticos/as, o desinteresse das populações dos diversos países, por estas eleições, foi por demais evidente.
Este desinteresse não é só exclusivo do nosso País (com 34% de participação), nem da nossa Região, onde nem 20% dos/as eleitores/as foram exercer o seu direito de voto. E até mesmo, nos países centrais da Europa, a abstenção bateu recordes.
Este fenómeno, em minha opinião, traduz a resposta a uma construção europeia cada vez mais antidemocrática, na sua forma de deliberação e concretização, longe das pessoas.
As pessoas veem e sentem que as decisões sobre políticas que implicam, cada vez mais, com as suas vidas, penalizando-as sem dó nem piedade, são tomadas por pequenos directórios, sob o comando alemão, ao invés de serem debatidas e decididas pelos seus representantes eleitos/as.
Paralelamente, estas mesmas políticas são, quase exclusivamente, reflexo dos interesses dos grandes grupos económicos e do capital financeiro, em detrimento dos interesses e necessidades dos/as cidadãos/ãs comuns.
Este conjunto de circunstâncias - que cavam (a cada minuto que passa) um desemprego galopante, um empobrecimento geral da população e a constante perca de direitos -, é o adubo poderoso para sectores desesperados da população apoiarem, em crescendo, soluções políticas de extrema-direita, que fazem do chauvinismo e do populismo a sua bandeira.
Como no passado, as forças de direita aliadas com as forças do centro (socialistas e sociais democratas), com as suas práticas, abrem caminho ao perigar da democracia.
No nosso País, os resultados - apesar de não ser aconselhável fazer extrapolações mecânicas para eleições diferentes -, mostram alguns dados interessantes.
A direita tem a maior derrota de sempre, justamente penalizada pela sua política desastrosa, contra quem trabalha ou trabalhou.
Apesar disso, o PS tem uma vitória de Pirro. É patente (como tenho salientado, neste espaço semanal e em diferentes ocasiões públicas) que a política do PS é, no essencial, a política do PSD/CDS. Por isso, não tem uma vitória retumbante.
Este facto, inegável, mobilizou já António Costa para assumir a disputa da liderança do Partido Socialista.
Como iremos assistir, a essência da orientação que, eventualmente, António Costa irá protagonizar, no PS, será a continuação de mais do mesmo. Não se prevê que rompa com a estrutura da política da troika. Mas, seguramente, a mudança de fraseologia e de maneira de estar será decisiva para almejar uma vitória, daqui a ano e meio.
Por fim, dou os parabéns aos vencedores - PCP e MPT - que souberam captar importantes sectores do eleitorado. Quanto ao meu Bloco, mantivemos o nosso posto de luta, na Europa, mas não alcançámos os objectivos. No quadro nacional, estas são as últimas eleições, em que o Bloco de Esquerda tem recuado, na sua influência eleitoral. Está na hora de reflectir, no(s) porquê(s) desta situação.
A próxima Convenção Nacional é o palco priveligiado, para refrescar o Bloco e mudar o que correu menos bem.
Nesta próxima batalha, estará o meu forte empenho e, estou certa, de muitos/as companheiros/as, porque o País e a nossa Região precisam de um Bloco forte, combativo e com ideias.