Num mundo em que as democracias estão em declínio e as autocracias em crescimento, António Lima lembra que a Autonomia dos Açores, que dá ao povo o direito a decidir, demorou séculos a conquistar e por isso o Bloco assume “a responsabilidade e o compromisso de cuidar dela”.
Na cerimónia de comemoração dos 50 anos da Autonomia, hoje no parlamento dos Açores, o líder parlamentar do Bloco saudou quem construiu a Autonomia antes e após o 25 de Abril, que permitiu “construiu as pontes entre as ilhas, ultrapassando a distância dos canais tempestuosos que a natureza impôs”.
Mas mais importante do que ultrapassar os obstáculos da natureza, “o verdadeiro desafio é superar as profundas desigualdades” provocadas ao longo de séculos “pela coroa, pelos donatários e seus capitães, pelos senhores e terratenentes e pelo Estado Novo fascista”.
“Temos o dever de continuar a ajudar a transformar um arquipélago e as gentes de nove ilhas isoladas numa região coesa, num povo que quer construir, ombro a ombro, o seu futuro”, afirmou António Lima.
O deputado do Bloco reconhece que “democracia não é sinónimo de desenvolvimento”, mas salienta que sem a primeira, a segunda não se cumpre.
“Construir a democracia plena, serviços públicos, direitos sociais, desenvolvimento económico e equilíbrio ecológico nestes rochedos varridos pelo vento e pela história pode ser uma utopia”, mas “aproximamo-nos desse horizonte há 50 anos”, afirmou António Lima, defendendo que “hoje é preciso acelerar o passo”, porque “a democracia está sob ataque no mundo”.
O deputado terminou o seu discurso apelando à união entre todas as ilhas: “Separados, voltamos a ser apenas um arquipélago”, mas “juntos, somos Açores e podemos sonhar”.