Haja respeito!

Quando se fala de política, há que ter respeito!

Respeito por todos aqueles que votaram, por todo um conjunto de pessoas que colocaram nas mãos de outros, o futuro de um país chamado Portugal!

Sobre esta matéria, denota-se, claramente, um afastamento dos políticos das pessoas, dos eleitores, sendo esta a razão pela qual a juventude tem se distanciado das questões que envolvem a política. Mais, este afastamento político tem provocado a desacreditação dos portugueses para com os políticos e ainda com a política e isto tem levado a que se registe elevadas taxas de abstenção nas eleições, sejam elas presidenciais, legislativas ou municipais.

Falar de política, nas presentes circunstâncias, é crucial e oportuno, pelos motivos, ora apresentados.

Francisco Louçã, veio aos Açores, recentemente, num encontro promovido pela Associação de Seniores de São Miguel e questionou-nos: "Como é que o Sistema Político Ouve as Pessoas?"

Tratou-se de uma questão inteligente, mas incómoda para muitos e, sobretudo, para a maioria dos socialistas, que por mais tentativas que tenham feito, nunca souberam ouvir os açorianos e açorianas.

Episódios não faltarão para denunciar. Os valores percentuais sobre a pobreza são uma amostra representativa da falta de respeito para com todos nós. Desisto de me pronunciar sobre estes valores, pois estes expressam um avultado número de pessoas que vivem em condições de miséria, muitas delas vivendo bem perto de todos nós.

Este flagelo crescente, expressa, nitidamente, o sofrimento e a resignação de um todo. Mas, há que ter a consciência que estas pessoas têm voz e que devem fazer-se ouvir, dando conta da sua desilusão, descrença e ainda desalento. Estará o sistema político  capaz de olhar olhos nos olhos destas pessoas? Se, sim, serão, certamente, contadas histórias de vida repletas de agonia, de tragédia e de aflição. Histórias mirabolantes, que contam o que é passar por medonhos sacrifícios. Que Ingratidão!

Neste espaço de tempo, ainda haverá tempo para ouvir episódios de famílias em risco, que perderam a casa por falta de pagamento, idosos sem acompanhamento, crianças e jovens menores sem dinheiro para comprar as senhas para a refeição escolar. Esta é uma dura realidade, infelizmente!

Mas, o que aqui quero expressar é a minha indignação sobre esta falta de respeito, por isso recomendo que escarafunchem e remedeiem esta realidade, colocando cada euro do nosso "Orçamento" ao serviço dos açorianos.

Face a estas evidências, recomenda-se que os nossos governantes não se esqueçam de responder às cartas abertas, a primeira remonta a 2014, aos nossos doentes oncológicos; de ouvir os professores e promover melhor qualidade na educação; de perceber as inquietações dos agricultores e pescadores; de escutar os desempregados; de compreender os nossos comerciantes, incentivando a economia regional.

Ao lado deste cenário caótico, deve prevalecer a equidade e igualdade de oportunidades e ofertas. Este é um sentimento que deve crescer todos os dias dentro de nós, no rescaldo dos nossos dias. Basta, não sejamos egoístas! Afinal, não é para isso que vos pagam!

É tempo de evitar constrangimentos e de ouvir famílias amarguradas pelo desemprego, pela redução dos salários e aumento da carga fiscal. É tempo de ouvir as pessoas com deficiências, as famílias monoparentais que vivem em situações precárias, não esquecendo ainda os nossos emigrantes, que foram em busca de um futuro mais promissor e que se encontram espalhados pela diáspora.

Falo, enfim, de uma classe que foi enganada e atraiçoada. Mas esta realidade tem de mudar, o mais breve possível.

Sejamos justos, temos de estar lado a lado com o povo!

Certamente, tudo isso só se minimizará com o contributo de nós todos, das instituições de solidariedade, das associações de voluntariado, dos políticos e ainda da boa vontade de cada cidadão e cidadã.

Assim, teremos o respeito que os açorianos e as açorianas merecem!