Impossível mas necessário!

Continua-se a massacrar um povo, em nome da dívida sacro-santa que, hoje, representa 130% do PIB (antes da Troika, era 90%) e que nos leva, por ano, 8 mil milhões de euros em juros (o que representa 5% do PIB).

Cavaco Silva vem dizer-nos que, para pagar a dívida, são precisos trinta anos, taxas de crescimento de 3% e saldos primários de 4%.

Em 40 anos de Democracia, nunca Portugal conseguiu atingir estes objectivos, quanto mais em trinta anos seguidos. Estes níveis não existem, em nenhum país do mundo. A Alemanha só atingiu estas metas, durante dois anos, nos últimos 17 anos.

Era disto que falava Passos Coelho quando, no Congresso do PSD, se referia à ‘pancada’ que irá doer mais, a partir de agora. E é isto que o CDS quer esconder quando, armado em panfletário do Governo, fala em ‘milagre económico’.

Ora, para este plano dar certo, é preciso chamar o Partido Socialista. O objectivo é claro: uma grande frente unida contra o povo.

O Partido Socialista diz que não vai, que é oposição, que está contra a austeridade estúpida mas, entretanto, já assinou o Tratado Orçamental.

Tratado que defende o dogma desta austeridade sem fim. Para o PS, afinal, o problema não é a austeridade, o problema é não ser ele a estar no comando dessa política.

Perante esta tramoia organizada contra o povo, perante tanta falsidade e mentira acerca da dívida - que não é mais do que um pretexto para aprofundar a concentração e acumulação de riqueza de alguns, à custa da miséria e empobrecimento de milhões -, surgiram várias dezenas de pessoas a dizer “Basta! É demais!”

Afinal, tinham razão aqueles/as que, há três anos atrás, afirmavam que a reestruturação da dívida era a única solução.

Estão registados, para a posteridade, os nomes que chamaram ao Bloco de Esquerda quando, numa atitude séria e responsável, em defesa do País e do povo português, defendeu a reestruturação da dívida.

Hoje, para serem coerentes, têm de chamar todos esses nomes a Manuela Ferreira Leite, a Bagão Félix, ao presidnete da CIP e da CCP, a Ferro Rodrigues e a tantos/as outros/as.

E será que o PS/A vai catalogar a posição do seu actual Presidente Honorário da mesma maneira que catalogou o BE?

O Bloco de Esquerda saúda a evolução de pensamento de Carlos César. Só temos pena de que seja tão tardia, pois poderia ter evitado parte do sofrimento que os/as Açorianos/as suportaram e suportam.

Hoje, a grande mentira, a grande aldrabice sobre a dívida está mais a descoberto; a humilhação e a dor que, a coberto desta mentira, os Partidos (os tais ‘responsáveis’ pertencentes ao arco da governação) infligiram ao povo português tende a revelar-se, em toda a sua plenitude.

Este véu que se abre dá-nos razão e mais força para o combate, em defesa da Região, do País, dos/as trabalhadores/as, dos pensionistas e dos jovens, a quem querem negar o futuro e envenenar o presente. Dá-nos mais força para correr com a Troika, mais força para combater as políticas da Troika sem Troika, mais força para combater os vampiros.

Como sempre, para o Bloco de Esquerda, entre os bancos e as pessoas, escolhemos as pessoas. É do lado delas que continuaremos.