Defendo, há muito, a necessidade do governo PSD/CDS sair de cena. As razões são evidentes: em três anos, a economia do nosso país regrediu para os níveis de 2000 e assistimos a um ataque, sem precedentes, sobre os/as trabalhadores/as, no activo e sobre os/as reformados/as. Acusados/as de serem a causa da crise são, em boa verdade, as suas vítimas, com 300.000 portugueses/as obrigados/as a emigrar.
Tudo isto, em nome de uma dívida que, apesar de tudo, não pára de aumentar: 134% do PIB!
Não faltam razões, em nome do País e dos/as portugueses/as, para despedir este governo.
Mas durante este mês de Setembro – particularmente, na última semana -, fomos abalroados/as pelos maiores atropelos à decência, para já não falar da ética que deve presidir a quem detem tão altos cargos.
Um ministro e uma ministra transformaram a governação deste país, num reality show de muito fraca categoria.
A ministra da Justiça - mentora de uma reforma que a torna menos acessível para os cidadãos, sendo mais um contributo para a desertificação do país e o agravar das condições de vida das zonas mais desfavorecidas (Açores incluídos) – provocou, por incompetência e teimosia, um caos enorme, num sector já de si cheio de problemas e que devia ser um pilar do Estado de Direito e da confiança dos/as cidadãos/ãs, na Democracia.
Perante este descalabro, a ministra recorreu a um remake do programa “Perdoa-me”, logo imitada pelo ministro da Educação… Um ministro que não cumpre a lei a que está obrigado, no processo de colocação de professores, inventando novas formas de colocação, completamente anacrónicas e erradas, assim prejudicando milhares de professores/as, alunos/as e famílias. Após a evidência do erro, demonstrado pelos mais diversos especialistas (mesmo antes dos malfadados concursos), foram precisas semanas para o assumir.
“Perdoa-me!” - é a única coisa que Nuno Crato tem para dizer aos/às portugueses/as, à semalhança da sua colega de governo, perante erros de tal amplitude e que só foram cometidos, porque este governo não houve ninguém, à excepção das ordens da Senhora Merkel.
Só uma atitude digna poderia corresponder a tais erros: a demissão, por moto próprio.
Contudo, esta pouca vergonha foi elevada a novos patamares, através do próprio Primeiro-Ministro, perante a acusação de ter recebido - enquanto deputado, em exclusividade de funções – 5.000 euros por mês, durante, pelo menos, dois anos!
Quem é que acredita (pese o facto de tudo se ter passado, há cerca de 15 anos) que alguém não se lembre de ter recebido, tão choruda maquia (120 mil euros), durante dois anos?
Pelo lugar que ocupa, exigia-se que Passos Coelho fosse, absolutamente, peremptório, na resposta. Dizer que “não se lembra”, não cabe na cabeça de ninguém.
Tão firme, tão rápido, tão peremptório a cortar salários e pensões e tão amnésico, quanto à eventualidade de ter recebido, ilegalmente, 120.000 euros, ao todo!
É patética (para não dizer descarada) a tentativa de ilibação, por parte de Marcelo Rebelo de Sousa, ao afirmar que “se, porventura, Passos Coelho cometeu algum ilícito, foi sem intenção”. Hã?!
Voltamos ao “Perdoa-me”… O País é governado por actores e actrizes de reality show de baixa categoria.
Batemos no fundo. A rua é o único caminho para estes governantes.
Os/as Portugueses/as não merecem isto!