Share |

A indelével mancha no PSD/PSD-Açores

Errar é humano. Mas há erros que se pagam caros.

O atual Presidente do PSD-Açores José  Manuel Bolieiro assumiu nas eleições regionais um compromisso para com o que designou uma mudança tranquila nos Açores. Esta era uma forma de dizer aos Açorianos e Açorianas que não deveríamos ficar “assustados” com a eventualidade do PSD-Açores liderar um governo nos Açores, já que, no contexto da atividade democrática, esse seria um cenário normal.

Mas o que não sabíamos é que o PSD Açores iria dar a mão a um partido xenófobo, de índole racista, que tem ódio aos pobres, com ligações à extrema-direita racista europeia e que, comandado pelo continente, impõe condições para a governação nos Açores.

Este é o maior erro de estratégia política que o PSD e PSD-Açores cometem em toda a história da democracia portuguesa. Existe a tendência para acreditar que a extrema-direita pode ser democratizada, como se se tratassem de membros de um partido com ideias um pouco mais à direita, e que, portanto, passíveis de serem incluídos numa mesma família política alargada. Mas que precisam de ser amansados, puxando-os para a verdade pura-e-dura do combate político.

Querem fazer-nos acreditar que é uma questão menor dar a mão a um partido de matriz xenófoba, que é contra o sistema democrático que consideram corrupto, que é contra as instituições do estado que consideram dispensáveis e que é contra a igualdade de género que consideram uma causa inútil.  E que estas ideias podem ser “apaziguadas” num convívio “sereno” assente no orgão máximo da democracia que é o parlamento.

Enganam-se. Estas ideias têm uma matriz destruidora da democracia. Advogam que a luta contra a corrupção se faz diminuindo o estado em vez de dotar o estado de ferramentas de combate à corrupção. Advogam que a redução de deputados é melhor para o sistema político, uma velha  ideia do tempo do Salazarismo que apregoava que ser político é, em si mesmo, imoral, e que o melhor é reduzir a representação do povo na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Este é o começo da destruição da representatividade do orgão máximo da democracia.

Advogam que o problema da corrupção e da degradação social se combate com a redução dos apoios aos mais necessitados e excluídos, reduzindo para metade os beneficiários do Rendimento Social de Inserção. Com o aumento da pobreza nos Açores provocado pela pandemia esta é uma proposta no mínimo surpreendente e que irá aumentar as dificuldades de quem luta pela sobrevivência nos Açores, uma sociedade muito desigual.

Como pode o PSD-Açores entender que o apoio de um partido com esta matriz é o garante de uma transição democrática serena e tranquila nos Açores? Ou será que por detrás desta decisão está o insaciável desejo de  “ir ao pote”?