Voto de pesar pelo falecimento de Miguel Portas - Zuraida Soares

 

Miguel Portas nasceu a 1 de Maio de 1958 e faleceu, no pretérito dia 24 de Abril, na cidade de Antuérpia.

Desde jovem se empenhou na luta pela democracia. Aos quinze anos já conhecia os cárceres da polícia política, em consequência da sua luta pela liberdade, contra a ditadura e a contra a guerra colonial.

Em 1974, adere ao Partido Comunista Português, onde milita até 1991.

Trabalhou no Poder Local, nomeadamente, em Lisboa, cujo desenho das festas da cidade, ainda hoje mantêm os traços do seu punho. Desenvolveu também a sua actividade, na área cultural, em Municípios da Serra Algarvia.

Estas experiências ajudaram-no a valorizar o Poder Local, as culturas, o interior e, sobretudo, as pessoas.

Licenciado em Economia, foi o jornalismo a sua vocação. Desenvolveu a sua acção, como editor de cultura, no jornal

“Expresso” e, como redactor, na revista “Contraste“. Fundou o jornal “Já“ e a revista “Vida Mundial“, publicações de que foi director.

Apaixonado pela cultura dos povos, deu particular atenção ao conhecimento das culturas da Bacia do Mediterrâneo e à sua divulgação. Foi co-autor e apresentador de duas séries documentais televisivas sobre o “Mar das Índias“, em 2000 e sobre o Mediterrâneo, em “Périplo“, exibido em 2004.

Sobre o Mediterrâneo, escreveu dois livros, “Labirinto”, em 2006 e “Périplo”, em 2009, em co-autoria com Cláudio Torres.

Numa recolha de crónicas, ensaios e reportagens, publicou, em 2002, “E o resto é paisagem”.

Miguel Portas foi fundador do Bloco de Esquerda e seu dirigente, desde a fundação deste partido. Foi, também, o seu primeiro eurodeputado em 2004, tendo sido reeleito em 2009.

Confrontado com a sua doença - que encarou com inegável coragem e serenidade -, manteve as suas funções de forma empenhada, até aos últimos dias da sua vida. Ultimamente, preparava o relatório do Parlamento Europeu sobre as contas do Banco Central Europeu.

Era um militante empenhado da Esquerda, um defensor acérrimo da democracia, cultivava o gosto pelo debate das ideias, com grande humanismo e profundo respeito pelos outros, como, aliás, evidenciaram todas as tomadas de posição de personalidades nacionais e internacionais, de um amplo leque de quadrantes políticos e culturais.

Miguel Portas foi um combatente pela democracia, era o combate da sua vida.

Vida intensa, na qual, quem com ele conviveu, admirava a sua inteligência, o seu fino humor e o constante apelo e valorização pelas coisas simples da vida, que tanto apreciava.

Uma vida cheia, que ele sintetizou na frase “Não desisti de nada”.

Nos termos regimentais, o Grupo Parlamentar do Bloco Esquerda/Açores propõe à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores apresentar à sua família, as mais sentidas condolências, juntando-se a todas as vozes que lamentam a sua perda e a forma como esta empobrece a Democracia.

Do presente voto deve ser dado conhecimento à família de Miguel Portas.

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