Comemoraram-se, recentemente, datas queridas ao povo português: o 25 de Abril e o 1º de Maio.
A festa da democracia e da liberdade, bem como o respeito pelos direitos do trabalho e pelos/as trabalhadores/as, são o coração destas celebrações.
Mas, este ano - um ano após a entrada da troika em Portugal -, a festa esteve arredada.
Precisamente há um ano, os Partidos da Troika trocaram os interesses dos/as trabalhadores/as e o pagamento dos seus salários, pelo pagamento dos juros agiotas da Banca nacional e internacional.
Com esta opção, os interesses que comandam Portugal são os interesses do capital financeiro, aos quais tudo se submete.
À diminuição dos salários, seguiu-se o corte do subsídio de Natal, para logo se roubarem os subsídios aos/às trabalhadores/as do sector público, mais o fim, na prática, da indemnização por despedimento, mais o famigerado banco de horas que impede as famílias de serem donas das suas vidas, mais os ataques à contratação colectiva e o aumento brutal de impostos.
Estamos perante a aliança da direita revanchista com o capital financeiro, cujo verdadeiro objectivo é transferir – à custa da miséria de quem trabalha - a riqueza para os bolsos dos financeiros.
E esta gigantesca transferência de riqueza nada poupa.
Ela vai desde o corte nos apoios sociais à privatização dos serviços públicos, atacando, de forma arrasadora, o salário indirecto dos que trabalham e têm, de seu, a venda da sua força de trabalho.
Este ataque sem precedentes “aos de baixo”, é envolto numa gigantesca campanha de propaganda sobre a sua inevitabilidade.
Nada mais falso.
A verdade é que PS, PSD e CDS fizeram uma opção. Optaram por ceder ao sector financeiro, em vez de optarem pelo País e pelos/as Portugueses/as.
Renegociar a dívida e auditá-la era o caminho que permitiria pagar salários e pensões e desenvolver a economia para criar emprego.
Comemorar o 25 de Abril e o 1º de Maio não é, pois, 'festa', mas sim juntar forças para derrotar esta política que, não só nos leva à miséria, como destrói a Democracia.
Neste espírito, continuamos a saudar estas datas, pois elas são fonte de coragem e de inspiração, a prova provada de que a mudança é possível e de que ela está nas mãos dos espoliados de hoje.