Jonetismo e acção social escolar

Sei que muita gente está, nesta época, muito mais preocupada com profanações de templos religiosos, maravilhada com o contorcionismo político dos deputados dos Açores na Assembleia da República e com ações em prol da livre circulação dos «popós» na cidade. Gostaria, contudo, de dar conta de uma notícia que passou despercebida, na passada semana, quiçá por ter ocorrido na «ilha grande», mas que deveria, na minha opinião, merecer a atenção de todos os açorianos, pois nada nos garante que não ocorra em outras ilhas, até mesmo na Terceira, sobretudo, se tivermos em conta o comportamento da Direção Regional da Educação.

Então, não é que as famílias dos alunos da EBI dos Ginetes (que inclui as escolas das Feteiras, Candelária, Ginetes, Sete Cidades, Várzea e Mosteiros)que estão a atravessar por dificuldades financeiras – por via do desemprego ou pelas baixas retribuições do emprego que possam, ainda, ter – não estão a receber, mesmo que tenham direito, apoios da ação social escolar?

Estas escolas dos Ginetes não têm dinheiro para garantir todos os direitos da ação social escolar (não são 'privilégios', como muitos de barriga cheia e cheios de caridade gostam de dizer), pois a verba transferida pela tutela não deu para tudo e foi toda esgotada no transporte escolar, numa Região refém de empresas concessionárias de transporte coletivo de passageiros que têm financiamento público para praticar tarifários sociais (dos mais caros do país), para transportar os alunos das escolas, para renovarem a sua frota e convém não esquecer que usufruem dos combustíveis mais baratos do país.

Vivemos na triste realidade de uma Região com a mais elevada taxa de abandono escolar precoce, com origem e reflexo numa gritante desigualdade social que se (re)afirma aos olhos de qualquer açoriano. Contudo, este Governo Regional, supostamente socialista, justifica-se, através da Diretora Regional da Educação, que afirma que “[o governo] não pode dar tudo a todos”, mas prefere investir em escolas privadas, enquanto deixa as escolas públicas à míngua, para onde são transferidas umas míseras «migalhas» que não devem ser mal gastas, pois, segundo a Diretora Regional da Educação, “são as escolas que não sabem priorizar as suas despesas”. No caso da EBI dos Ginetes, o conselho executivo teve de escolher entre o material escolar e o transporte escolar. Por outras palavras, se tiverem os livros escolares terão de vir a pé para a escola ou vice-versa. Por conseguinte, os 800 alunos destas escolas dos Ginetes, até podem vir de autocarro para a escola, mas não terão livros, nem cadernos, nem coisa alguma, por via da ação social escolar! Assim, a responsabilidade não é da tutela, é da EBI dos Ginetesque recebeu uns trocos que, na opinião da Diretora Regional da Educação, foram mal gastos.

Perante tais declarações, e se este Secretário Regional da Educação e Cultura for realmente socialista, então só lhe restará demitir a Diretora Regional da Educação. Mas não sei bem porquê, tenho a impressão que tudo continuará calmo e sereno. Aliás, julgo que será mais provável assistirmos a demissões, devido a umas danças do ventre do que pelas justificações, à la Jonet, da Diretora Regional da Educação, acerca da ação social escolar…