Temos soluções - Uma política com coerência

 

A luta eleitoral que travamos, inscreve-se num dos momentos mais complicados e difíceis, que o país e os Açores alguma vez atravessaram, na sua já longa história. É impossível sermos alheios ao efeito da crise, o desemprego, o agravamento da pobreza, a destruição da economia e de milhares de postos de trabalho, a emigração. Novamente centenas de jovens açorianos são obrigados a sair da região, que é sua, para terem direito a uma vida digna.

 Mais de 20. 000 desempregados, 20. 000 beneficiários do RSI, na sua grande maioria, como complemento a rendimentos do trabalho e a pensões de miséria!

Vivemos na Região com a maior Zona Económica Exclusiva do país, apesar da nossa luta pela recuperação das 200 milhas em co- gestão entre a Região e a União E, em nome da sustentabilidade da pesca e da sustentabilidade económica dos nossos pescadores, que ainda hoje vivem do quinhão, sem contrato individual de trabalho e   a depender da vontade de um Subsecretário das Pescas para receber uma compensação salarial por mau tempo e sustentabilidade ambiental, sem valor certo e sem prazo certo, e para o qual descontam sempre que descarregam pescado. O BE/A defendeu ao longo destes 4 anos, na ALRA e continuará a defender, o valor equivalente ao salário mínimo Regional e com prazo legal inscrito na legislação do FundoPesca.

Vivemos numa Região onde mais de um terço da nossa população vive abaixo do limiar de pobreza.

Tudo isto salta demasiado à vista, todas e todos sabem do que vos falo.

Agora, é preciso dizer bem alto que esta opção política, esta crise, os nossos problemas e flagelos, têm um rosto e um nome: troika; e os seus executantes também  têm nome! não nos esquecemos quando há um ano atrás, PS, PSD e CDS nos disseram que não podia ser de outra forma. E também não nos esquecemos que Vasco Cordeiro, Berta Cabral e Artur Lima, nos disseram o mesmo na Região. Não nos esquecemos de todo!

Opusemo-nos às políticas de austeridade e da troika desde o primeiro minuto, continuamos a fazê-lo, e a querer pô-la à porta, o povo não aguenta mais Troika!

Bem sabemos que agora, em altura eleitoral, nenhum partido, nenhum líder, apoia as políticas da troika, de Berta Cabral, a Artur Lima a Vasco Cordeiro, parece que a bancada anti-troika ganhou maior envergadura na Região que no continente.

Agora a presidente do PSD/Açores diz que não tem nada que ver com Passos Coelho, o líder do CDS, que diz não ter nada a ver com o governo de Portas e aquando das alterações da TSU, ameaçou demitir-se, como se nós acreditássemos!

O candidato Vasco Cordeiro parece não querer lembrar-se, que o seu Governo, o do PS confiscou, voluntariamente, salários aos funcionários públicos açorianos, fez aprovar recentemente um Código de Ação social que trata as pessoas como clientes,  que remete para mais parcerias público privadas e que de social só tem o nome, na realidade é do mais liberal que já se viu nesta região!

 Vasco Cordeiro vem do PS que juntamente com PSD e CDS votaram contra a proposta do Bloco Esquerda para pôr fim aos 25% nas derrapagens das obras públicas, invés dos 5% como no resto País. Só nos últimos anos foram cerca de 200 milhões para os bolsos de alguns!

 Um PS que confisca subsídios numa empresa maioritariamente pública para os dividir com o capital privado, falo da EDA, é claro!

Um PS que desinveste na educação pública em favor de colégios privados, um PS que desinveste num serviço regional de saúde. Um PS que está pronto para um dos maiores, dos muitos ataques ambientais à nossa terra, tornando-a cada vez menos verde, para além de uma ruinosa parceria público-privada na SCUT de S. Miguel, agora quer duas incineradoras, uma na Terceira e outra em S. Miguel! Opomo-no e lutaremos contra!

Vasco Cordeiro que vem de um Governo que boicota uma bolsa regional para estudantes universitários em situação de insuficiência económica, ao esconder a sua divulgação por ter sido iniciativa do Bloco Esquerda! Nem na universidade dos Açores, nem nos vários departamentos do governo regional se conhece a existência da bolsa. É esta a resposta que os jovens estudantes levam do PS/Açores! quando sabemos que já são largas centenas de estudantes nesta região a abandonar os seus estudos por não poderem pagar as propinas!

Uma esquerda socialista não é este PS  está mais que visto!

Na República a direita segue os ditames da Troika e ajusta contas com o mundo do trabalho, contra os trabalhadores e trabalhadoras impôs:

 confisco de subsídios, redução de salários, mais horas de trabalho, bancos de horas a serem compensados em eventuais dias de descanso, fim do pagamento do trabalho em dia de descanso compensatório em empresas de laboração contínua, redução para metade no pagamento das horas extraordinárias, redução de feriados e férias, ou seja trabalhar mais por menos rendimentos e com menos direitos!Enfim o maior ataque de sempre à classe trabalhadora, na história da nossa democracia!

Na Assembleia Legislativa dos Açores, o Bloco de Esquerda exerceu, em nome da  Autonomia ao serviço das pessoas, uma prerrogativa constitucional e estatutária  ao apresentar uma adaptação do Código de Trabalho de Passos/Portas e Cavaco,  para a nossa Região, de modo a que não deixasse-mos entrar medidas ainda mais gravosas para os trabalhadores/as nos Açores.

Mas perguntemos, como votaram PS, PSD e CDS?

 Substituíram-se ao T. Constitucional e votaram Contra!

 É preciso deixar bem claro, que é por vontade desta maioria negativa, que hoje, nos Açores, se aplicam as leis laborais da troika, quando em nome da Autonomia, dos direitos de quem trabalha nesta Região, se pode minimizar o roubo aos rendimentos de quem só tem a sua força de trabalho.

 Pode ser diferente, pode ser com dignidade e respeito por quem trabalha. Esta é uma luta  que continuará na próxima legislatura!

Por o povo a trabalhar mais por menos rendimentos e aumentar a carga de impostos sobre as pessoas – é esta a receita descarada da Troika/PSD/CDS para ultrapassar a crise!

Recordemos ainda que, se por um  lado, temos o agravamento nacional, imposto pelo ministro de Passos/Portas, em 35% no IRS, por outro lado, por força do Memorando entre César e o ministro das finanças o valor do  diferencial inscrito na Lei de Finanças Regionais vai-se alterar, cumprindo a vontade da Troika, impõe-se aos trabalhadores desta Região um agravamento na ordem dos 45%, no IRS!

Mas a lista de mal feitorias continua, por força da alteração da Lei de Finanças Regionais, que agora nem PS, PSD ou CDS querem debater, não será só o diferencial do IRS que será alterado, é o IRC  e  è  o diferencial do IVA  tal como a diminuição das transferências do Orçamento de Estado para a Região! È a asfixia autonómica  pelos partidos da Troika.

Ao contrário de outros, não dialogamos com a sociedade açoriana na base de falsas promessas, as soluções eleitorais que vos apresentamos têm coerência, caminho, rumo, casam com a nossa prática política.

Defendemos quem vive dos rendimentos do seu salário durante o mandato, em eleições e depois das eleições. Não esperem menos que isto do Bloco de Esquerda.