A luta da Esquerda

Sobre as recentes declarações escritas pelo Senhor Deputado Berto Messias, importa aqui registar, que além de manifestarmos o nosso mais veemente repúdio, apraz-nos dizer o seguinte:

O teor destas declarações não se reveste de natureza técnica, nem jurídica, mas sim política.

E, no domínio da política democrática, não tem cabimento este gesto do Senhor Berto Messias.

É na sua essência, um gesto autoritário, impositivo e chantagista.

Será que a democracia portuguesa fica diminuída se os eleitores livremente, quiserem dar maior expressão eleitoral ao Bloco de Esquerda, ou outras forças políticas, que não o PS, PSD ou CDS-PP?

Será que o Senhor Berto Messias teme pelo mesmo destino que os seus congéneres socialistas da Grécia, de Espanha ou França?

A democracia requer pacto de confiança entre cidadãos, instituições e media, com respeito pela verdade, tolerância e decência na acção. Competência e rigor são atributos indeclináveis, exactamente o oposto dos soundbytes que captam a atenção colectiva, mas desvirtuam a reflexão.     

Orgulhamo-nos de identificarmo-nos com gente de esquerda que nunca abandonaram os seus princípios ideológicos por um cargo, pela ascensão nos meandros oportunistas da política.

Que não usa a linguagem como “ornamentação”, antes como forma de conhecimento.

Que luta contra a falsa linguagem dos consensos. Contra todo o tipo de agressão verbal perpetuada nos discursos dos políticos.

Contra a hipocrisia política que corrói as democracias modernas.   

Pela dignificação da actividade política e do renascimento da confiança nas instituições democráticas.

Em conclusão, diremos que parece-nos que tornou-se estúpido ser inteligente, porque a estupidez adquiriu a inteligência de não querer provar nada, de apenas ser uma peça de jogo. A impunidade traz inteligência à estupidez.