Mais uma voltinha, mais um corte

No início desta semana, o Governo da República fez aprovar (através da maioria que detém, na Assembleia da República), novos cortes salariais para o resto do ano de 2014 e para o ano de 2015, embora, neste último caso, com uns pozinhos de perlimpimpim, por forma a adoçar a amargura de mais um confisco.

Fê-lo, a todo o vapor, através de um decreto-lei e de um Plenário Extraordinário, procurando garantir, assim, a aplicação dos referidos cortes, já no fim deste mês. Bem percebemos que a inclusão de mais este confisco a quem trabalha, no Orçamento Rectificativo que subirá a Plenário, ainda esta semana, pelos procedimentos que exige, poderia comprometer a urgência desta medida, bem como a sua aplicação, da forma mais abrangente possível, nos vencimentos de Setembro.

 Mais uma vez e sempre, o Governo da República escolhe os/as trabalhadores/as, como as vítimas preferenciais da sua política. Contudo, não podemos deixar de registar que, no mesmo momento em que a dívida pública – apesar de toda a austeridade – sobe para os valores recordes de 134% e os juros aumentam, este ano, cerca de 30% para além do previsto, a banca continua a ficar incólume a qualquer tipo de corte, de austeridade, de sacrifício ou solidariedade, livre para continuar a sugar os/as Portugueses/as.

A conclusão a retirar é do tipo ‘branco é, galinha o põe’, ou seja, a política austeritária, ao fim de quatro anos de imposição, não resolve nenhum problema do nosso País – ao contrário do que nos é, reiteradamente, repetido: a economia não cresce ou cresce de forma raquítica; a dívida – em nome da qual todas as atrocidades são cometidas – cresce todos os dias; e o défice orçamental é apenas, ilusoriamente, contido. Simultaneamente, o desemprego, se não fosse a emigração forçada de cerca de 300 mil portugueses/as (entre outros factores), continuaria a subir a galope.

Estes novos cortes requentados são contrários aos interesses dos/as trabalhadores/as, da economia e do emprego e, por maioria de razão, são-no também e sobretudo, na Região Autónoma dos Açores, onde a taxa de desemprego é a maior do País e a economia está estagnada. Aqui e agora, a aplicação destes cortes anunciados são um autêntico crime.

Por isso, em defesa dos direitos de quem trabalha e em defesa da sobrevivência do nosso tecido económico, forçoso é exigir ao Governo Regional que apresente, quanto antes, medidas concretas e expeditas, no sentido de criar todas as condições para proteger os/as trabalhadores/as da administração regional, do sector empresarial regional e das autarquias, de mais este esbulho.

Para tal, tem ao seu dispor diversos instrumentos possíveis, já por si utilizados – e bem -, em situações similares, mais ou menos recentes.

Registo que o Senhor Vice-Presidente, Sérgio Ávila, não gosta que alguém pense pela sua cabeça. Dentro ou fora dos partidos políticos, devemos estar caladinhos/as, obedientes, agradecidos/as e sem fazer ondas. Qualquer iniciativa em sentido contrário será lida como uma “tentativa vã de protagonismo”. Estranha forma de conceber a democracia… Invariavelmente, as maiorias absolutas tendem para este tipo de arrogância e nem se dão ao trabalho de resistir à tentação. É pena mas…tem remédio, como os/as Açorianos/as bem sabem!