No nosso país, acabámos de realizar uma importante Greve Geral, contra a política de austeridade do governo PSD/CDS, contra o brutal desemprego, o empobrecimento geral da população e pela defesa dos serviços públicos, ou seja, pela dignidade de quem trabalha.
Ora, nas vésperas da nossa Greve Geral, fomos surpreendidos com o levantamento de um povo - o Brasileiro -, em luta por melhores serviços públicos e contra a corrupção.
E porquê, se o Brasil nos é apresentado, todos os dias, como um milagre económico, com um desemprego de 5,7% e governado por políticas de esquerda – como dizem os média e até o Partido Socialista de Seguro?
O Brasil é, hoje, o 7º maior PIB do mundo, mas também é um dos países com desigualdades mais gritantes. A introdução da Bolsa Família (por Lula da Silva) - que representa 100 reais/mês (34,5 euros) para famílias que, per capita, têm menos de 60 reais (21 euros)/mês – retirou milhões de brasileiros da pobreza absoluta e permitiu alguma transferência de capital, em favor dos mais pobres.
Segundo critérios oficiais do Governo Dilma, ‘classe média’ é quem ganha entre 291 reais (100 euros) e 1019 reais (352 euros)/mês; um professor do ensino básico ganha 1500 reais e um enfermeiro 2.000 reais (690 euros). Mas o custo de vida é pouco mais baixo do que o português. Com estes ordenados, ter casa no Rio, ou é na favela, ou a mais de 4 horas de transportes públicos.
A despesa pública, com a Saúde, representa 466 reais (357 euros)/ano, por pessoa; em Portugal, 1.300 euros/ano; na Alemanha, 2.000 euros/ano.
Ao mesmo tempo, a corrupção é uma instituição nacional - todos/as nos lembramos do “Mensalão”. Mas, mesmo assim, o Governo Dilma ainda queria tirar poderes ao ministério público para a investigar, sendo o sistema eleitoral considerado, por muitos, como um dos seus principais pilares. E ainda há quem queira importar, para cá, características deste sistema eleitoral…
Juntemos a este cenário 11 mil milhões de euros gastos, em estádios de futebol - quando na África do Sul se gastaram 3 mil milhões e, na Alemanha, 4 mil milhões – e podemos concluir: a vossa luta, irmão e irmã brasileira, é a nossa luta, por um mundo decente para quem trabalha.