Na SATA, não há pessoas!

Discutiu a Assembleia Legislativa dos Açores, na semana passada, a situação da SATA e o seu futuro.

O  diagnóstico está claro: - a situação da empresa, hoje, é insustentável. E é exigido um Plano de Emergência. Para tal situação, concorreram diversos factores, tanto externos - como, obviamente, a crise -, como internos - tais como a política de aquisição de aeronaves superior às necessidades (a qual obrigou a inventar rotas deficitárias para uso dos aviões), mais as dívidas da República e, principalmente, as regionais (para pagamento das obrigações de serviço público), entre outras.

Mas, este Plano de Emergência, também não é independente das actuais opções do Governo Regional, de braço dado com o da República, para a introdução das Low-Cost, nas duas rotas com mais passageiros:  - Ponta Delgada e Terceira. Aquilo que o Governo Regional não quer fazer, com a SATA, vai fazer com as Low-Cost, isto é, tornar o negócio apetecível para estas, em troca do pagamento de contrapartidas, pelo aumento de turistas.

Governo Regional e Partido Socialista fugiram a debater as razões desta situação. “O importante é o futuro!” – repetiram até à exaustão, fugindo às responsabilidades de dezoito anos de gestão socialista, na empresa.

Outra fuga foi o escamoteamento de como esta ‘emergência’ vai recair sobre os/as trabalhadores/as.

Desde logo (e no imediato), com a suspensão do Acordo de Empresa (AE). Isto quer dizer que os direitos conquistados pelos/as trabalhadores/as da empresa vão ser atacados.

Para garantir a sustentabilidade da empresa, começa-se logo por aqui. E pergunto eu: - qual a diferença, com as medidas do Governo PSD/CDS, na República?

Mas, relativamente aos/as trabalhadores/as da SATA, os eufemismos são o prato forte da narrativa socialista. O Secretário Regional dos Transportes garante que não há despedimentos. De acordo com a sua versão, cerca de 50 trabalhadores saem por reforma antecipada e os outros são contratos a termo que não serão renovados. Feitas as contas, estamos a falar de 261 pessoas, das quais, 199 com contratos a termo (a fazer fé, no conteúdo do Plano apresentado).

Para além disto, a redução de custos (na estrutura e backoffice), em 4 milhões de euros, ou significa redução substancial de salários, ou mais 100 despedimentos.

Incrivelmente, no léxico do Governo Regional, os/as trabalhadores/as a prazo não são despedidos. Não?! Então, quando chegar o dia de não verem os seus contratos renovados e ficarem sem emprego, são ou não despedidos?! Podemos arranjar palavras bondosas mas a realidade, infelizmente, é esta.

Todos/as conhecemos a frase enfática do Senhor Vice-Presidente e que faz escola na bancada do PS: ‘Para o PS e Governo Regional, os desempregados não são números, são pessoas! E, nem que seja um desempregado que exista na Região, o Governo não deixará de lutar por essa pessoa!’.

Sendo assim, só há uma conclusão: - os/as 261 trabalhadores/as da SATA que perdem o emprego, não são pessoas porque, se fossem pessoas, o Governo estaria  preocupado. Mas não há preocupações...

Em resumo: - não há responsáveis pela  situação da SATA, os negócios esquisitos com as Low-Cost podem proliferar e não há despedimentos, porque os/as despedidos/as não são pessoas. Ah! E, em 2017, privatiza-se a empresa.

Veja se encontra as diferenças com a política e a prática do PSD/CDS...