Não há limites para a aldrabice?

 

Na passada quinta-feira, assistimos a uma colossal encenação do Governo da República.

Ecoaram as trombetas, enquanto ministros e secretários de estado se apresentaram, aprumadinhos e bem ensaiados para a farsa, difundida, em directo.

Qual farsa?

O Governo PSD/CDS baixa o IRC  - imposto das empresas - até 7,5%, a quem investir, em 7 meses, até 5 milhões de euros. Quem investir menos tem a diminuição de imposto, em proporção equivalente.

Como bradava, insistentemente, o tal ministro que não acerta uma - de seu nome, Vitor Gaspar – “chegou a hora do investimento”. Vale a pena repetir: chegou a hora do investimento...

Ora, se nós analisarmos 2011, concluiremos que 71% das empresas portuguesas não tinham rendimentos para pagar o referido imposto.

Ao mesmo tempo, a maior parte das pequenas e médias empresas, seguramente que não passarão, em sete meses, de uma situação de quase pré-falência para a possibilidade de investir milhões de euros.

Por isso, estamos perante uma medida que, por um lado, não criará emprego e, por outro, apenas esconde o facto de, em 2012, mais de 70% da carga fiscal ter insidido sobre trabalhadores e pensionistas. E já percebemos que, em 2013, ainda será pior.

Então, para quê todo este alarido?

Muito simplesmente para disfarçar as decisões do Conselho de Ministros, tomadas  na manhã desse mesmo dia. 

Despedir 30.000 funcionários públicos, através de uma portaria - para fugir à discussão, na Assembleia da República e trocar as voltas à concertação social.

Aumentar para 40 horas o horário semanal de trabalho da função pública.

Aumentar, em 1%, os descontos para a ADSE, incluindo os/as pensionistas.

Esconder que a dívida - a justificação para todo o sofrimento -  já está em 127% do PIB, superando, largamente, as previsões do tal do Vítor.

Ou seja, mais medidas para aumentar o desemprego e a miséria de quem trabalha ou trabalhou, enquanto o regabofe continua para os/as de sempre: basta lembrar o prémio de 1 milhão de euros dado à directora do Banif.

Aliviar a carga fiscal de quem trabalha ou vive da reforma é que permitirá às empresas venderem e criarem emprego. Tudo o mais é pura mentira para esconder o desastre das políticas do governo PSD/CDS a que urge pôr fim, já.