Perante o contínuo agravamento da vida das pessoas, as promessas eleitorais negadas (logo que se conhecem os resultados eleitorais), a perspectiva negra que paira sobre o futuro de cada um/a e dos/as jovens, em particular, bem como a ausência de saídas futuras credíveis, cada vez ouvimos mais o desabafo popular – “São todos iguais!”.
Infelizmente, este desabafo não está circunscrito ao nosso país, antes percorre toda a Europa. É evidente que os níveis de corte de direitos e de empobrecimento de quem trabalha, sendo comum a todos os paises da Europa, variam, na sua contundência, de país para país.
Mas, afinal, o que está em causa?
O que está em causa é uma gigantesca transferência de rendimento do trabalho para o capital. O comando deste processo global está nas mãos do capital financeiro, numa aliança perfeita entre as grandes empresas e a banca.
A competividade, as dívidas soberanas, a falência do Estado Social, a desresponsabilização do Estado, o endeusamento da gestão privada, são alguns exemplos da ementa de argumentos e justificações, para vender aos povos tão desgraçadas políticas.
Mas, se o comando pertence ao capital financeiro, são os políticos os executantes destas políticas. Na Europa dos liberais, dos conservadores, dos sociais-democratas e dos socialistas, todos estão subjugados aos ditames do grande capital.
É certo que, conforme os países e a sua situação concreta, a forma de actuar tem variações.
Esta ligação umbilical, entre estes partidos e o verdadeiro poder, tem, aos olhos das pessoas, uma imagem bastante explícita, na dança de cadeiras entre governo, bancos e grandes empresas. Quem sai do governo vai, a mais das vezes, para um alto cargo, ou num banco ou numa empresa… e vice-versa. É este o triste baile a que assistimos! Mas, sendo esta a parte visível, de facto, é apenas a ponta do icebergue.
Por tudo isto é que constatamos (por exemplo, no nosso país) que não há diferença substancial, esteja o PSD no Governo ou o PS.
Contudo, para convencer as pessoas de que há diferenças, assistimos - quando na oposição - a discursos ferozes contra o governo vigente; se vamos para eleições, as promessas brotam, em catadupa; imediatamente a seguir, são deitadas no lixo.
É o caso de Passos Coelho, nos últimos três anos.
Truques de ilusionismo não faltam. Outro, bastante comum, é a mudança de caras. Estes Partidos estão sempre a mudar de caras para, através da fulanização da política, criarem a imagem de ‘aquele’ vai ser melhor do que o ‘outro’. É o que se passa, actualmente, no PS, com a disputa entre os ‘Antónios’. Até o nome ajuda à festa…
A verdade é que nada disto altera, no essencial, as políticas ditadas pelo capital financeiro, servindo, antes, para as preservar.
Mas também há políticos/as que desmascaram este circo, por todas as formas ao seu alcance. Políticos/as que, nem vêm da banca, nem vão para lá, depois do seu percurso político, nem sequer para qualquer Iberdrola ou EDP.
Esses/as políticos/as assumem que, para o país e para a Europa, há outro caminho, outras políticas e outras soluções: o caminho dos interesses e dos direitos das pessoas, que é oposto ao caminho do capital.
Não, não somos todos iguais! Muitos/as escolhemos, há muito, o lado certo da barricada: o lado de quem vive do seu trabalho.