Ilustres Açorianos, Açorianas e restantes Comunidades Emigrantes espalhadas pela diáspora.
Não escrevo por escrever. Escrevo, a maior parte das vezes, por uma questão de justiça social. É isso, mesmo!
Nestas linhas, venho manifestar a minha revolta sobre a forma como alguns deputados tratam os assuntos relacionados com a saúde dos açorianos. Escrevo como forma de protesto e para alertar os açorianos e as açorianas sobre os discursos enganosos, isentos de qualquer sinceridade, idoneidade, generosidade...
O anacronismo político é medonho, ou melhor, horripilante. Na verdade, o que se tem visto é um derradeiro esforço por parte de alguns deputados em vir justificar o que não tem justificação. Pois bem, antes estivessem calados! Lembro o ditado de Eduardo Galeano que diz “Quando as palavras não são dignas quanto o silêncio, é melhor calar e esperar”. Neste caso, proponho que se calem, mas mais do que isso, espero que atuem e tomem como urgente a saúde dos açorianos. Não nos deixem neste compasso, alarmante, de espera, porque horas, meses e anos podem significar ou exprimir um elevado número de óbitos. Por favor, suplico, não nos deixem morrer!
Tudo isso, para manifestar a minha e, também a indignação de muitos açorianos, que nos deixam testemunhos de vida de miséria, penúria e de calamidade. Mas, parece que ninguém se importa com isso!
Pois bem, aqui vai, a razão deste meu desalento:
No dia 18 de fevereiro de 2016, foi entregue a petição “Saúde nos Açores. Um direito", da autoria do doente oncológico, Octávio Manoel de Oliveira Rego, à ALRAA, e que contou até à data da audição, que se realizou no dia 3 de Maio, pelas 15h, com cerca de 2224 assinaturas, e da qual me fiz representar, por motivos que se prendiam com a saúde deste cidadão. Na audição, fui recebida pela Comissão Permanente dos Assuntos num regime protocolar, repleto de cortesia. Mas, o que receava aconteceu. Conhecem aquela sensação de chegar a um lugar e sentir aquele clima... Sim, um ambiente que costumamos classificar como pesado, onde o desconforto é o adjetivo que prevalecia nos semblantes de alguns dos deputados que me ouviam. Neste momento, só me vem à memória o tão celebre texto bíblico “Ó homens, até quando tereis o coração pesado, e amareis o nada, e buscareis a ilusão?” Não, não era ilusão, era mesmo a verdade nua e crua. Em alguns momentos, apetecia-me beliscar, noutros momentos apeteceu-me mesmo chorar. Mas, houve quem quisesse chorar, ou melhor quem ficasse comovido, com lágrimas nos olhos, e mesmo assim fosse como censurado por estar naquele estado. Fiquei com a sensação que na política é proibido chorar, ainda ser ilegal exprimir sentimentos de compaixão pelos outros e também ilícito manifestar qualquer palavra de compadecimento pela dor alheia. Aqui segue o meu voto de protesto! A política não isso, é muito mais que isso, para informação de alguns, principalmente para quem se indignou e num ato atroz tenha saído daquela sala, pura e simplesmente por não ter gostado da emoção que se instalou. Sim, foi isso que senti. Neste ambiente, também senti tantas outras coisas, como constrangimento e ainda “ares” de opressão, por tudo o que os açorianos reclamavam nesta petição, como: a extinção das taxas moderadoras; a abertura de protocolos com centro de investigação genética; médicos de família para todos; a existência de tratamentos mais específicos no combate ao cancro; a abertura de protocolos com clínicas privadas para o encurtamento das listas de espera; procurar realizar um estudo de investigação sobre as causas das elevadas taxas de incidência de alguns tipos de cancro nos Açores, comparativamente a Portugal Continental e alguns países europeus; maior sensibilização para o deferimento dos requerimentos de pensão de invalidez dos doentes oncológicos açorianos; que os açorianos beneficiem dos mesmos preços de consultas e tratamentos pela ADSE em relação aos continentais; para refletirem sobre intervenção das equipas de cuidados paliativos e ainda para terem a atenção sobre a falta de material e de medicamentos nos centros de saúde e unidades hospitalares.
Então, surgem testemunhos num grito de agonia: “Todos temos direito à saúde e ao bem estar. Ninguém fica de fora. Ajudem o povo Açoriano que tem cancro, a ter qualidade de vida e de esperança.”; “ Políticos façam algo”...
Depois de pronunciados os diversos testemunhos, senti que cumpri a minha missão, que como obviamente, não acaba aqui.
Ainda em resposta ao Vice-Presidente Parlamentar do PS sobre a sua comunicação, no Diário dos Açores, no dia 13 de Maio, acresce aos factos que, a falta de médicos não se prende só com a falta de recursos humanos, mas pelo descontentamento e insatisfação dos médicos, nomeadamente nas áreas de medicina geral, de saúde pública e ainda hospitalar, tal como denunciou a ordem dos médicos recentemente, no Açoriano Oriental, a 22 de abril. Portanto, as palavras do deputado em questão, não expressam a realidade sórdida e mórbida instalada no Sistema Regional de Saúde. De "falas" vãs e ocas estão os açorianos fartos!
Tenham vergonha e assumam publicamente a verdade dos factos. Mais, sobre as listas de espera que faz referência, neste mesmo comunicado e segundo os dados disponíveis referentes a abril de 2016, o número de utentes inscritos para cirurgia, acumulado por hospital e especialidade na RAA é de 10299. Este número significa, claramente, uma falta de respeito, uma atrocidade bárbara e desumana para com todos os cidadãos e cidadãs residentes nesta região autónoma.
Uma última palavra, sejam autênticos e façam política com legitimidade!
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