De quando em vez, ou o Presidente ou o Vice-Presidente do Governo Regional aparecem a anunciar um projecto de envergadura para o futuro dos Açores, daqueles capazes de projectarem economicamente a Região.
Contudo, após a pompa dos referidos anúncios, nada se concretiza e estes acabam, rapidamente, apagados do discurso oficial, seja porque os actos eleitorais já passaram, seja por qualquer outro pragmático motivo. Certo, certo…é que desaparecem.
Haverá quem se lembre ainda como, em Maio de 2016 (vésperas de eleições regionais), o Governo - na companhia do 1º Ministro, António Costa, e mais sete ministros – foram à cidade da Horta, anunciar a eminente constituição de um Centro de Investigação das Ciências do Mar.
Congratulei-me com este anúncio, pois dá-se o caso do BE/A defender este projecto, desde 2004.
Sempre entendemos que este centro, sob a forma de Instituto Público Nacional, não só é determinante para a defesa do nosso mar, como pode e deve ser uma alavanca poderosa, tanto para tornar os Açores num parceiro mundial, na área da biotecnologia e das alterações climáticas, como para garantir um desenvolvimento harmónico do nosso arquipélago.
Após as eleições, apresentámos, no Parlamento Regional, uma proposta para iniciar, de facto, o processo de constituição e operacionalização deste Centro. Ouvimos, então, o Secretário Regional da tutela reclamar da extemporaneidade da mesma, até porque o Governo tinha mudado de ideias…ou não sabia muito bem que ideia é que tinha…ou nem tinha a certeza se tinha alguma ideia! Estavam, ainda, a estudar o assunto, entenda-se.
Assim, ninguém nos poderá acusar de má vontade se reconhecermos, publicamente, aquilo que então, tal como agora, pensamos: - ora aqui está mais um anúncio para Açoriano/a (sobretudo, Faialense) ver, acreditar e…votar em conformidade! No entretanto, o Governo Regional continuará a não ter uma estratégia clara e séria para o desenvolvimento dos Açores do futuro.
E, nesta matéria, ainda há poucos dias tivemos mais uma notícia deveras preocupante: o fecho eminente do Instituto do Mar (IMAR). Ou…parece que, afinal, não é o fecho, mas sim o seu ‘congelamento’…ou a sua eventual substituição por outra entidade…ou, se calhar, nem uma coisa, nem outra!
É lamentável toda esta indefinição sobre instituições tão relevantes, tal como o é o facto de nem mesmo responsáveis da Universidade dos Açores saberem bem de que é que estão a falar, pois cada um (e, às vezes, o mesmo!) diz uma coisa diferente.
E, mais do que lamentável, é caricata a resposta do Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, sobre o citado encerramento: - ‘não sei de nada, estou preocupado com o futuro dos trabalhadores e estranho porque, na semana passada, estive a falar com o Senhor Reitor que me garantiu que não ia fechar o IMAR’.
Ou seja, o Governo Regional tem contratos e protocolos assinados com o IMAR e a Universidade não informa o seu cliente do encerramento do instituto?! Será que o Senhor Reitor mentiu ao Senhor Secretário?! Escondeu-lhe as alterações que estavam em marcha?! E o Senhor Secretário e o Governo Regional acham isto normal?! Ou tudo não passa de uma brincadeira de mau gosto, vá-se lá saber com que intuito?!
Mesmo reconhecendo e defendendo a autonomia da Universidade, não posso deixar de registar o total alheamento do Governo Regional dos problemas da ciência e da investigação, nos Açores.
E, assim, se põe em causa o nosso futuro colectivo!