A nomeação exitosa do Sr. Secretário

No final do mês passado, e após demissão do conselho de Administração do Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo, resultado de um processo que desmascarou a aparente estabilidade do funcionamento desta instituição, recebemos a notícia da nomeação do novo conselho de Administração do Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo, e logo nos deparamos com novo incidente, a nomeação do enfermeiro-diretor, por parte do Sr. Secretário Regional da Saúde.  Uma nomeação exitosa, na perspetiva do exercício do poder através da prepotência, imagem de marca deste Governo Regional que se refugia na maioria absoluta que o suporta para pôr e dispor, sem dar grandes justificações. Contudo, e na realidade, trata-se de uma decisão política desastrosa, pois desconsiderou as reclamações do(a)s enfermeiro(a)s do Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo.

Se a instabilidade no Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo resultou na demissão do anterior conselho de Administração e num clima de hostilidade latente entre enfermeiro(a)s da instituição e a tutela, a nomeação do novo enfermeiro-diretor mais parece uma tentativa de apagar fogo com gasolina.

Toda esta prepotência, em que ser 'amigo' do partido do poder é, cada vez mais, o único critério vai fazendo caminho também por cá, demonstrando que não é um vício exclusivo da República e do governo PSD/CDS, de onde surge, mais uma vez, notícia de nomeações, por critérios puramente partidários, de 14 cargos de direção da Segurança Social, num total de 18 cargos.

A nomeação, da responsabilidade do Sr. Secretário Regional da Saúde até pode ter cobertura legal, mesmo que discutível, mas, politicamente, é sintomática do exercício do poder orientado pela velha máxima do «Quero, posso e mando» para alimentar uma rede de 'amigos do partido'. Assim, numa altura em que se clama por rigor e transparência na Administração Pública, sobretudo no setor público empresarial, está mais do que na hora de acabar - a sério, e não com operações de cosmética - com o princípio «laissez faire, laissez passer» que tem orientado o setor público empresarial, o qual, dessa forma, tem funcionado como abrigo e albergue, por via de nomeações políticas, dos 'amigos do partido no poder'. Se nada for feito, as entidades públicas empresariais continuarão a ser uma espécie de «saco azul», onde impera o critério da servidão partidária, com resultados desastrosos para a reputação e credibilidade do setor público.

Para enfrentar comportamentos discricionários, o BE/Açores apresentará propostas concretas que contribuam para aumentar o rigor, a transparência e, por consequência, a confiança que os cidadãos depositam no setor público.