Assunção Cristas, a nova líder nacional do CDS/PP, veio manifestar publicamente o horror suscitado por um governo que estará, nas suas próprias palavras, refém dos partidos radicais, a propósito da decisão governativa de impedir o financiamento público a instituições de ensino privado, sempre que haja oferta pública.
Saúdo a coragem política para acabar com mais um negócio com proveito garantido para instituições de ensino privado à custa da duplicação de investimento público, em claro prejuízo para uma oferta pública que se quer universal, gratuita e de qualidade. Não se trata de uma aberração político-ideológica, isto de termos um governo do PS mais sensível às propostas de quem está à sua esquerda, em vez de estar sempre de mão dada com neoliberais, defensores de um Estado minimalista, que acham que nem para regular deve servir, sinal de que há muito deram um pontapé na social-democracia.
Por cá, o BE/Açores já tentou alterar a relação da Região com as escolas privadas. Não somos contra as escolas privadas, só somos contra o financiamento público dessas escolas quando a oferta pública responde às necessidades do sistema. Aliás, defendemos que sempre que a oferta pública não for suficiente, a Região, através de financiamento a instituições do ensino privado, deverá garantir a gratuitidade da sua frequência a todo(a)s o(a)s aluno(a)s, sejam provenientes de agregados familiares ricos ou pobres, tal e qual se tratasse de uma escola pública, e defendemos que o(a)s docentes dessas escolas privadas deverão usufruir das mesmas condições que os seus colegas que leccionam nas escolas públicas.
Não podemos, nem devemos, consentir que se continue a dar tudo a instituições de ensino privado, nos Açores, que não se encontram a colmatar falhas na cobertura da oferta pública, o que não significa que queiramos proibir a existência dessas escolas privadas, que se quiserem manter-se em atividade deverão, à semelhança de qualquer negócio, procurar clientes que queiram pagar, às suas expensas, o serviço que lhes é prestado.
Se o governo do PS está refém do BE, PCP e PEV, nas palavras de Assunção Cristas, então o governo regional do PS, ao não adotar uma medida claramente de esquerda, está claramente tomado por antigos quadros do PSD e do CDS naquele que está a ser um processo de descaracterização do PS/Açores. Este episódio sobre o financiamento público ao ensino privado é só um entre muitos episódios que deveria fazer refletir muitos militantes e simpatizantes do PS/Açores.