A opinião publica e publicada da ilha Terceira tem adotado, nos últimos anos, uma visão fatalista do nosso futuro, mas continua a insistir no mesmo erro. A pretensão em arranjar uma única âncora milagrosa que nos trará a salvação, numa lógica de monoculturas geracionais, sem considerar a possibilidade de não estarmos condicionados a uma única fonte geradora de riqueza.
Para uns a âncora será o turismo, e de preferência sem objetivos, pois o que importa é termos cada vez mais turistas, sem considerar o que os turistas procuram e o que poderemos oferecer. E, apesar, de aparentemente, todos, incluindo o Governo Regional, privilegiarem o turismo rural e de natureza, na prática a atribuição de projetos de interesse regional (PIR) relacionados com o turismo são atribuídos à construção de unidades hoteleiras associadas ao turismo de massificado.
Para outros, a âncora é a nossa posição geoestratégica, mas só para fins militares, pois todas as outras alternativas só podem ser irrealistas. Aliás, para os mais dogmáticos, a simples intenção de se discutirem outras soluções que potenciem a nossa posição geoestratégica prejudicaria, no seu superior entendimento, a valorização militar dessa mesma posição.
Outros advogam que a agricultura é a nossa âncora, mas só a pecuária teria tal potencial e, de preferência, só o setor leiteiro. Tudo o resto, principalmente, a horticultura, fruticultura e floricultura são fantasias que só servem uma lógica de auto-sustentabilidade.
Outros fazedores de opinião consideram que a salvação está no desenvolvimento do golf, motivo para que durante alguns anos se tenham feito investimentos avultados e se tenham projetado outros tantos investimentos para a criação de campos de golf, como se tivessem descoberto a salvação da economia regional.
Para outros pensadores, a salvação estaria na tauromaquia, atividade que consideram de grande valor reprodutivo e com um grande potencial para atrair turistas para o centro do Atlântico para verem touradas, naquilo que seria a salvação da economia da ilha.
Parece-me que não temos (nem devemos) depender de uma qualquer «galinha dos ovos de ouro», pois julgo que temos capacidade para ter uma economia diversificada, geradora de riqueza e assente num novo modelo de desenvolvimento que considere o superior interesse da Região que terá, obrigatoriamente, de coincidir com uma maior igualdade na distribuição dessa riqueza, por entre todos os açorianos e açorianas. Se assim for, serão, de certeza, ultrapassadas todas as lógicas bairristas e centralistas.
Para começar, bastaria que as nossas grandes potencialidades, como a nossa fauna e flora, o nosso mar, a nossa posição geoestratégica, a nossa agricultura (em toda a sua diversidade e valor acrescentado), a nossa cultura e a nossa História fossem preservadas e aproveitadas, de forma sustentável, em benefício de todos e não só de alguns.