O mercado da Graça é um local emblemático da cidade de Ponta Delgada, onde famílias açorianas e visitantes aproveitam para conhecer, provar e adquirir produtos frescos regionais.
Todo o processo de requalificação deste espaço, que já se arrasta há 3 anos, tem sido marcado por desafios e constrangimentos da responsabilidade deste e do anterior executivos camarários: começando no imbróglio com o sistema de incêndios, ao impasse para indemnizar os comerciantes e à constante revisão de previsões sobre a conclusão das obras.
A autarquia pode alegar que é alheia à recente situação em torno do processo do concurso público, mas não pode negar que podia ter tido uma atitude mais proativa ao longo de todo este processo. Pois, se há algo bastante claro após todo este tempo, é que comerciantes e consumidores acabaram por sair lesados pela falta de celeridade e de medidas concretas por parte da autarquia.
Como exemplo, temos o facto de o Bloco de Esquerda ter apresentado por duas vezes, em 2022 e 2023, propostas para compensar financeiramente os comerciantes pelas quebras de rendimento, mas ambas acabaram rejeitadas pela maioria que suporta o executivo liderado pelo PSD.
Só em junho deste ano, ou seja, 2 anos após a primeira proposta do BE, é que a autarquia avançou com o processo de indeminização, pese embora com critérios que levaram os comerciantes a afirmar que se sentiam enganados pelo Presidente da Câmara de Ponta Delgada.
E se numa fase inicial, os comerciantes não quiseram optar por um outro local para comercializar os seus produtos, com receio de que poderia afetar a longo prazo o seu negócio, neste momento a falta de condições de salubridade do espaço não deixa muita margem para garantir a manutenção da reputação de qualidade dos produtos, assim como garantir a saúde pública.
A comercialização de produtos frescos numa cave, sem iluminação adequada e com ventilação através de ventoinhas, não confere a qualidade que todos os intervenientes desejam e que já expressaram em entrevistas à comunicação social regional.
Esta situação culminou com queixas de clientes, que chegaram a ser reportadas à IRAE.
Perante esta situação, e perante a inexistência de um prazo fixo para o fim deste processo, é importante salvaguardar a saúde pública e a reputação dos produtos e comerciantes do Mercado da Graça. É fundamental que os comerciantes sejam ouvidos pela autarquia e que, perante as atuais circunstâncias, sejam ponderadas soluções que permitam as devidas condições para a comercialização dos produtos e que tranquilizem os comerciantes e clientes do Mercado da Graça. Só assim poderemos salvaguardar a reputação e futuro do Mercado da Graça.