Perante a (quase) concretização de mais uma vaga (quiçá a última) de despedimentos de trabalhadores civis da base das Lajes, anunciada com três anos de antecedência pelos norte-americanos, interessa, agora, criar um plano de emergência para atenuar as consequências económicas e sociais decorrentes daquele que será, segundo Vitor Silva (coordenador da CGTP/Açores), o maior despedimento coletivo da Região.
Um plano de emergência assente em respostas imediatas aos trabalhadores que vierem a ser despedidos e que se traduzem num reforço das medidas de proteção no desemprego, assim como no incremento de investimento público e medidas de incentivo ao investimento privado para a ilha Terceira, e com especial incidência, no concelho da Praia da Vitória. Estas são as medidas que constam do projeto de resolução que partiu da iniciativa do BE/Açores e que foi, responsavelmente, adotado por todas as forças políticas com representação na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Aliás, medidas que fizeram parte do manifesto eleitoral da candidatura do BE/Açores à autarquia praiense, em 2013.
São medidas que, decerto, não resolvem o problema de fundo, mas atenuam as consequências da irresponsabilidade política intergeracional e transversal a vários protagonistas políticos da República e da Região que adotaram sempre uma postura que começou por ter contornos rentistas e que, necessariamente, se transformou numa postura de dependência e subserviência.
A valorização geoestratégica não está limitada ao território ocupado pelos norte-americanos, nem terá de considerar, exclusivamente, os seus interesses. Assistimos sempre à sobreposição de interesses alheios relativamente aos nossos interesses, numa lógica de obediência atroz às necessidades da NATO que são vistas, pelas elites nacionais e regionais, como as nossas próprias necessidades.
Os sucessivos governos da República e da Região criaram e reforçaram a ilusão de que a criação de emprego e a dinamização da economia local e regional era a grande contrapartida resultante da utilização da base das Lajes pelos norte-americanos, quando, na realidade, a criação de emprego foi, durante algumas décadas, um efeito lateral dos vários Acordos, substituído, a partir da década de 90 do século passado, pela destruição de emprego.
Há muito que se deveria ter viabilizado a base das Lajes através de utilizações civis e comerciais, em que o dinamismo económico local e regional fosse uma consequência direta, em vez de um efeito lateral. Apesar da atualidade estar a dar provas, inequívocas, sobre o caminho que deve ser feito, ainda há quem resista e persista no erro de enganar os trabalhadores da base das Lajes, ao fazer de conta que o emprego é a verdadeira contrapartida de um Acordo em que trocamos a nossa soberania pelo orgulho de servimos interesses alheios.